Falta de livros em braille afeta mais de 45 mil estudantes em 2026
Ausência de materiais adaptados nas escolas públicas reacende debate sobre inclusão educacional
O início do ano letivo de 2026 trouxe um desafio significativo para mais de 45 mil estudantes com deficiência visual nas escolas públicas brasileiras: a falta de livros didáticos em braille. Essa é a primeira vez desde a criação do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), há quatro décadas, que o material adaptado não foi distribuído, reacendendo o debate sobre a inclusão na educação básica.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva (Abridef), a ausência desses materiais especializados prejudicou milhares de alunos cegos e com baixa visão. Beto Pereira, responsável pelas Relações Institucionais da Laramara – Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual, destaca que “a ausência dos materiais adequados amplia desigualdades e impõe barreiras às crianças com deficiência visual”. Ele enfatiza que “quando o aluno não recebe o livro ao mesmo tempo que os colegas, ele começa o ano em desvantagem”, o que impacta diretamente no rendimento escolar, autoestima e no sentimento de pertencimento em sala de aula.
Além do impacto individual, a falta de livros em braille também compromete o planejamento pedagógico das escolas. Junia Buzim, pedagoga da Laramara, alerta que “diante da ausência do material adequado, professores precisam reorganizar o planejamento e buscar alternativas para garantir que os alunos não fiquem prejudicados”. Ela explica que “a falta dos materiais adequados não afeta somente crianças cegas ou com baixa visão. Os outros alunos também são atingidos por esse atraso, pois muitos professores terão que dar uma atenção maior para quem está sem material, fazendo um esforço para que todos estejam no mesmo ritmo de aprendizagem”.
A produção de livros didáticos em braille é um processo complexo que exige planejamento antecipado, desde a transcrição até a impressão e a logística de distribuição. Beto Pereira ressalta que “esse processo precisa ser minucioso para evitar atrasos e a circulação de materiais fora do padrão, o que poderia comprometer ainda mais o andamento das aulas”.
O Ministério da Educação (MEC) informou que o atraso na entrega dos livros para alunos do ensino fundamental se deve às etapas do processo do PNLD, incluindo a tradução para o braille e revisão do Instituto Benjamin Constant (IBC). Para o ensino médio, o material está em avaliação pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), sem previsão de entrega. O MEC também afirmou que os alunos do ensino médio, já alfabetizados em braille, conseguem utilizar audiolivros para estudo.
O MEC prevê a entrega dos livros para os estudantes dos anos iniciais e finais do ensino fundamental até março. Para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), o processo de credenciamento está em andamento e deve avançar ainda no primeiro semestre de 2026.
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