NR-1 e saúde mental: desafios para profissionais tímidos nas empresas
Atualização da norma destaca a importância de proteger colaboradores com dificuldade de se posicionar
Desde maio de 2025, as empresas brasileiras passaram a incluir formalmente os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), conforme a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Essa mudança reforça a obrigatoriedade de identificar e gerenciar fatores como estresse, assédio moral, sobrecarga e exaustão mental no ambiente de trabalho. A fiscalização com possibilidade de penalidades está prevista para começar em 26 de maio de 2026.
A psicóloga Karina Orso, especialista em timidez e ansiedade social, destaca que essa atualização representa um avanço importante, mas chama atenção para um grupo frequentemente negligenciado: os profissionais tímidos. Segundo Karina, “a pessoa tímida geralmente é comprometida, responsável e quer fazer um bom trabalho, mas pode ter muita dificuldade de se posicionar, expressar incômodos ou impor limites. Isso aumenta a vulnerabilidade a abusos e sobrecarga”.
A timidez no ambiente corporativo se manifesta pelo medo de julgamento, insegurança ao expor opiniões e dificuldade em dizer “não”. Esses fatores podem levar o colaborador a aceitar demandas excessivas, evitar conversas difíceis e permanecer em silêncio diante de situações injustas. Karina alerta que “muitas vezes, o profissional tímido não denuncia um comportamento inadequado ou não comunica que está sobrecarregado por receio de ser mal interpretado ou visto como incompetente”.
Esse comportamento pode gerar um ciclo prejudicial, no qual a pessoa acumula frustração, ansiedade e autocobrança, podendo evoluir para quadros de esgotamento emocional. A especialista ressalta que “o sofrimento nem sempre é visível. Nem todo colaborador que está adoecendo vai apresentar queda brusca de desempenho. Alguns continuam entregando resultados, mas à custa da própria saúde mental”.
A timidez não deve ser vista como falta de capacidade. Aproximadamente 50% dos brasileiros se consideram tímidos, segundo pesquisa da USP. Karina destaca que, sem o devido suporte, a timidez pode limitar o crescimento profissional e a qualidade das relações no trabalho, fazendo com que pessoas deixem de pedir aumento, se candidatar a promoções ou apresentar ideias importantes.
Com a consolidação da NR-1, o empregador tem responsabilidade formal pela identificação e controle dos riscos psicossociais, o que exige a atuação integrada de lideranças, RH e segurança do trabalho. Para Karina, “não basta ter um canal de denúncia se o colaborador sente que será julgado ou retaliado. É preciso construir um ambiente em que as pessoas se sintam emocionalmente seguras para falar”.
No âmbito individual, fortalecer a confiança e desenvolver habilidades sociais são essenciais para que profissionais tímidos se posicionem com mais segurança. Karina explica que “quando a pessoa começa a se posicionar com mais segurança, ela estabelece limites mais saudáveis e reduz significativamente o risco de adoecer no ambiente profissional”.
Essa transformação da NR-1 representa um marco na proteção dos trabalhadores, especialmente aqueles que sofrem em silêncio. Como conclui Karina Orso, “o fato de alguém ser quieto não significa que está bem. Muitas vezes, o silêncio é um pedido de ajuda que ainda não encontrou espaço seguro para ser ouvido”.
Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



