Hospital de Londrina realiza cirurgia com biovidro para infecção óssea
Material inovador combate bactérias e estimula regeneração óssea em caso complexo
O Hospital Universitário da UEL (HU-UEL), em Londrina, realizou em fevereiro uma cirurgia inédita para tratar uma infecção óssea crônica no calcâneo, utilizando biovidro, um material sintético composto por sais de silicato, cálcio e outros íons. Esta inovação representa um avanço importante no tratamento de infecções ósseas complexas.
O biovidro tem uma ação dupla: além de combater ativamente as bactérias ao modificar o ambiente local, dificultando a sobrevivência dos microrganismos, ele também estimula a regeneração óssea, sendo gradualmente incorporado ao organismo, ou seja, “vira osso”. Essa característica é fundamental para casos em que há grandes defeitos ósseos, como no paciente atendido.
O procedimento foi conduzido pelos ortopedistas Vinícius Ribeiro Menegazzo, especialista em cirurgia do pé e tornozelo, e Cezar Bordinassi. O paciente, que sofreu uma fratura no calcâneo em 2022, evoluiu com complicação infecciosa após a fixação cirúrgica inicial com placas e parafusos. A retirada dos implantes deixou um grande defeito ósseo, que inicialmente foi preenchido com cimento ortopédico impregnado com antibiótico, uma alternativa tradicional para controle local da infecção. Contudo, “sabemos hoje que esse material não possui atividade antibacteriana permanente e pode não ser suficiente em casos mais complexos”, explica Menegazzo.
Após o insucesso das medidas convencionais e o acompanhamento clínico intensivo, a equipe optou pelo uso do biovidro, um material especial de alto custo. Segundo Bordinassi, “o grande diferencial do biovidro é que ele não apenas preenche o defeito ósseo, mas modifica o microambiente local, tornando-o hostil às bactérias e favorecendo a consolidação óssea”. Menegazzo complementa: “Conseguimos tratar a infecção e reconstruir o osso simultaneamente”.
Por não ser um material incorporado rotineiramente nos protocolos institucionais, a aquisição do biovidro passou por um extenso trâmite administrativo, com elaboração de relatórios técnicos baseados em literatura científica atual. O processo contou com o apoio do Ministério Público, que, em parceria com o HU-UEL, viabilizou a compra.
Embora o custo inicial do biovidro seja elevado, evidências científicas indicam que seu uso pode reduzir os gastos totais do tratamento, quando comparado a longos períodos de antibióticos endovenosos, múltiplas internações e cirurgias repetidas. Além disso, o paciente apresenta recuperação funcional mais rápida, destaca Bordinassi.
Após a cirurgia, o paciente segue em acompanhamento ambulatorial com evolução satisfatória. O sucesso do caso já motivou novos pedidos do material para outros pacientes da Ortopedia do HU, marcando um avanço na incorporação de tecnologia moderna no tratamento de infecções ósseas dentro do SUS. Iara Secco, superintendente do hospital, ressalta que “a iniciativa reforça o papel do hospital universitário como centro de inovação, ensino e assistência de alta complexidade dentro do SUS”.
Este procedimento pioneiro demonstra o potencial do biovidro como alternativa eficaz para casos complexos de infecção óssea, ampliando as possibilidades de tratamento no sistema público de saúde.
Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



