Entenda o Transtorno do Processamento Auditivo que afeta todas as idades
Saiba como o TPAC dificulta a compreensão da fala mesmo com audição normal
Ouvir não é o mesmo que entender. Muitas pessoas enfrentam dificuldades para compreender a fala em ambientes barulhentos, sentem cansaço mental após reuniões ou se irritam com sons do cotidiano, mesmo tendo audição normal. Esses sintomas podem indicar o Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC), uma condição pouco conhecida que afeta crianças, adultos e idosos no Brasil.
O TPAC não é uma perda auditiva, mas sim uma dificuldade do cérebro em organizar, interpretar e atribuir significado aos sons captados pelos ouvidos. Como explica a Dra. Andréa Paz, fonoaudióloga especialista em Audiologia e Processamento Auditivo, “não basta ouvir o som, é preciso que o cérebro consiga analisá-lo, separar o que é relevante do que é ruído e compreender a mensagem”.
Na infância, o transtorno costuma ser confundido com desatenção ou TDAH, já que crianças com TPAC apresentam dificuldades de aprendizagem, leitura e escrita. “Muitas crianças são rotuladas como desatentas quando, na verdade, estão em esforço constante tentando entender o que o professor diz em salas ruidosas”, afirma a especialista.
Para adultos, os impactos aparecem de forma diferente. Dificuldade para acompanhar reuniões, aprender outros idiomas, cansaço extremo após longas conversas e irritação em ambientes com muitos estímulos sonoros são queixas comuns. Segundo Andréa, “o adulto começa a evitar interações sociais e situações profissionais que exigem muita escuta, o que afeta a carreira e a qualidade de vida”.
Idosos também são afetados pelo TPAC, pois o envelhecimento pode comprometer a forma como o cérebro lida com sons competitivos, mesmo quando a audição periférica está preservada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que mais de 25% das pessoas com mais de 60 anos relatam dificuldade para compreender a fala em ambientes ruidosos, o que prejudica a socialização e a saúde mental.
Além disso, o cenário atual, com exposição prolongada a ruídos urbanos, uso excessivo de telas e fones de ouvido, pode agravar o problema, causando estresse, fadiga mental e dificuldade de concentração.
O diagnóstico do TPAC é realizado por meio de avaliação fonoaudiológica especializada, que analisa como o cérebro processa diferentes estímulos sonoros. O tratamento envolve o Treinamento Auditivo, que deve ser individualizado, pois “não existe protocolo genérico. Cada cérebro responde de uma forma, e o tratamento precisa ser personalizado e baseado em evidência científica”, ressalta Andréa.
Ampliar o debate sobre o processamento auditivo é fundamental para evitar diagnósticos errados e reduzir o sofrimento. “Quando entendemos que o problema não é falta de atenção ou preguiça, mas uma dificuldade real do cérebro, conseguimos intervir de forma mais assertiva e devolver autonomia, desempenho e qualidade de vida às pessoas”, conclui a fonoaudióloga.
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Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



