Ampliação do rastreamento do câncer de mama no SUS e desafios em São Paulo
Novo protocolo amplia faixa etária para mamografia, mas adesão e acesso ainda são obstáculos
No Dia Nacional da Mamografia, celebrado em 5 de fevereiro, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) Regional São Paulo chamou atenção para a ampliação do rastreamento do câncer de mama no SUS, que agora recomenda a mamografia a partir dos 40 anos, conforme lei aprovada no final de 2025. Essa mudança representa um avanço importante para a saúde da mulher, mas também traz desafios significativos para o acesso ao exame no estado.
Segundo a SBM São Paulo, a baixa adesão histórica ao rastreamento mamográfico é um problema conhecido, que tende a se agravar com o aumento da população-alvo. Dados anteriores à mudança indicavam que, em 2024, mais de 15 mil mulheres aguardavam na fila para realizar a mamografia no estado, mesmo com a existência de 1.523 equipamentos, sendo 647 na rede pública. Parte desses aparelhos opera com ociosidade, o que evidencia que o principal desafio não está na quantidade de equipamentos, mas na adesão das mulheres ao exame.
O tempo médio de espera para a mamografia em São Paulo chegou a 43 dias, acima do previsto pela Lei nº 13.896/2019, que estabelece o intervalo máximo entre consulta e confirmação diagnóstica do câncer. A concentração dos exames em períodos específicos, como campanhas pontuais, contribui para a formação de filas e sobrecarga temporária do sistema, dificultando o rastreamento contínuo, fundamental para a detecção precoce.
Atualmente, apenas cerca de 30% do público-alvo realiza a mamografia conforme recomendação. Entre os fatores que explicam essa baixa adesão estão a desinformação, o medo do diagnóstico, inseguranças em relação ao procedimento e falhas na orientação durante a jornada de cuidado. O presidente da SBM Regional São Paulo, mastologista Fábio Bagnoli, ressalta que “a ampliação da indicação da mamografia é positiva e vinha sendo defendida e solicitada pela Sociedade Brasileira de Mastologia há muito tempo. […] o grande desafio é fazer com que as mulheres compreendam a importância do exame mamográfico e mantenham a regularidade ao longo dos anos”.
Outro ponto destacado é que a realização do exame concentrada em campanhas não substitui o rastreamento contínuo, que é essencial para evitar diagnósticos tardios. O mastologista José Luis Esteves Francisco, coordenador da comissão de Imaginologia Mamária da SBM São Paulo, afirma que “a mamografia permanece como a principal estratégia para reduzir a mortalidade por câncer de mama, ao permitir o diagnóstico em fases iniciais e tratamentos menos agressivos”. Estudos indicam que a participação regular no rastreamento reduz em 40% a 50% o risco de morte pela doença em até dez anos após o diagnóstico.
A SBM alerta que o índice adequado de cobertura seria atingir ao menos 70% da população-alvo. “O rastreamento só é efetivo quando ocorre de forma sistemática. A mamografia realizada de forma esporádica perde parte de seu efeito protetor e aumenta o risco de diagnóstico tardio”, explica José Luis. A entidade também destaca a importância da precisão diagnóstica, pois há dificuldades na identificação do câncer em estágios iniciais por profissionais não especializados, o que pode atrasar o diagnóstico.
Bagnoli reforça que “o diagnóstico realizado por [mastologistas] tende a ser mais assertivo, principalmente nas fases iniciais da doença, quando as possibilidades de tratamento menos agressivo e de cura são maiores”. O desafio da baixa adesão e desinformação também se observa na rede privada, onde muitos diagnósticos ainda ocorrem em fases avançadas.
Concluindo, a SBM São Paulo ressalta que o enfrentamento do câncer de mama depende de “informação contínua, estímulo à prevenção, diagnóstico precoce e acesso a tratamento de qualidade”, alcançando todas as mulheres, independentemente do tipo de atendimento. Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



