Genética pode influenciar rejeição de legumes em crianças, diz especialista
Entenda como genes afetam o paladar infantil e alternativas para garantir nutrição
A dificuldade de fazer crianças aceitarem certos legumes é uma realidade comum em muitas famílias. Legumes como o brócolis frequentemente provocam caretas, rejeição imediata e até náusea em alguns pequenos. No entanto, essa resistência pode ter uma explicação genética, segundo o neurocientista e especialista em genômica Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues.
De acordo com o Dr. Fabiano, pós PhD em neurociências, a rejeição alimentar infantil nem sempre está ligada a fatores psicológicos ou comportamentais. Em análises genéticas e atendimentos clínicos, ele identificou que diferenças no DNA podem influenciar a forma como certos alimentos são percebidos e rejeitados pelas crianças.
“Analisei dados genéticos de dezenas de crianças e entrevistei seus familiares sobre o comportamento alimentar. Em todos os casos, foi possível identificar diferenças genéticas relacionadas à rejeição de certos alimentos”, explica o especialista. Ele destaca que essas crianças não estavam “com frescura para comer”, mas reagindo a estímulos que o organismo interpreta como desagradáveis ou potencialmente nocivos.
Um exemplo citado é a hipermobilidade, condição que causa maior elasticidade dos tecidos e pode alterar a sensibilidade oral, afetando a percepção de texturas e sabores. Muitas vezes, essa condição só foi descoberta após as análises genéticas relacionadas à alimentação.
No caso de legumes como o brócolis, o gene TAS2R38 desempenha papel fundamental ao influenciar a percepção do sabor amargo. Para algumas crianças, esse sabor é tão intenso que é interpretado pelo organismo como químico ou venenoso, o que gera uma aversão neuroquímica automática. “O que o intestino sente, o cérebro interpreta como risco. A partir disso, cria-se uma aversão neuroquímica como mecanismo de proteção. Trata-se de uma resposta instintiva, ligada à sobrevivência, e não a uma escolha consciente da criança”, esclarece o Dr. Fabiano.
Ele recomenda que, após o diagnóstico, os alimentos rejeitados sejam substituídos por outros que ofereçam valor nutricional semelhante, evitando forçar o consumo e garantindo a saúde da criança.
Importante destacar que essa rejeição genética não deve ser confundida com alergias alimentares, que apresentam sintomas mais evidentes. O especialista também observou casos de predisposição genética à intolerância à lactose em crianças com desconforto ao consumir leite, mesmo sem diagnóstico formal.
Segundo o Dr. Fabiano, a nutrigenética amplia o diálogo entre famílias, médicos e nutricionistas, possibilitando planos alimentares mais personalizados e eficazes. Ele reforça que os testes genéticos estão cada vez mais acessíveis, facilitando a identificação dessas predisposições e contribuindo para evitar conflitos à mesa e promover o cuidado adequado à saúde infantil.
Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



