Ozempic e Mounjaro podem afetar saúde bucal e exigem cuidados odontológicos
Medicamentos para diabetes e controle de peso impactam a boca e pedem acompanhamento preventivo
Medicamentos como Ozempic e Mounjaro, indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e controle de peso, podem impactar a saúde bucal, exigindo atenção e acompanhamento odontológico mais próximo. Conforme descrito nas bulas aprovadas pela Anvisa, esses fármacos apresentam efeitos gastrointestinais comuns, como náusea, vômito, diarreia e constipação, que podem repercutir na cavidade oral.
Sabrina Balkanyi, dentista formada pela USP, destaca que “os medicamentos não atacam diretamente os dentes, mas os efeitos colaterais descritos em bula, como náusea e refluxo, podem alterar o ambiente bucal. O dentista precisa investigar essas informações na anamnese”. A saliva tem papel fundamental na proteção contra cáries, erosão e doenças gengivais, e a redução do fluxo salivar, conhecida como xerostomia, aumenta o risco de lesões e inflamações.
Embora a boca seca não seja um efeito adverso frequente desses medicamentos, ela pode ocorrer secundariamente à desidratação, diminuição da ingestão alimentar ou alterações gastrointestinais persistentes. Além disso, episódios repetidos de vômito ou refluxo expõem os dentes ao ácido gástrico, favorecendo o desgaste do esmalte. Sabrina alerta que “quando há contato ácido frequente, o esmalte fica mais vulnerável. Se o paciente escova imediatamente após o episódio, pode potencializar a erosão”.
Para proteger a saúde bucal de quem usa Ozempic e Mounjaro, a especialista recomenda cinco cuidados essenciais: reforçar a hidratação diária para manter o fluxo salivar; avaliar sinais de boca seca e, se necessário, indicar estimulantes salivares ou saliva artificial; fortalecer o esmalte com dentifrícios fluoretados e aplicações tópicas; evitar escovar os dentes imediatamente após refluxo, aguardando cerca de 30 minutos para neutralizar o pH oral; e antecipar consultas preventivas para diagnóstico precoce de erosão e inflamações.
Sabrina ressalta que “não se trata de suspender o medicamento, que tem indicação médica específica, mas de ajustar o cuidado odontológico à condição sistêmica do paciente”. Ela também orienta clínicas a revisar as fichas de anamnese, incluir perguntas sobre o uso desses medicamentos e capacitar as equipes para identificar sinais de erosão, boca seca e sensibilidade dental. O diálogo com o médico assistente é fundamental para garantir a saúde integral do paciente.
O avanço do uso de Ozempic e Mounjaro representa uma mudança no perfil clínico contemporâneo. “A boca reflete o que acontece no organismo. O dentista que compreende essa conexão atua de forma mais preventiva e responsável”, conclui Sabrina Balkanyi.
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Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



