Gravidez na adolescência no Brasil: mitos que dificultam a prevenção eficaz
Crenças equivocadas sobre contraceptivos ainda são barreiras para jovens evitarem a gravidez precoce
A gravidez na adolescência continua sendo um desafio significativo no Brasil, com dados que revelam uma realidade preocupante. Segundo levantamento da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), anualmente, uma em cada 23 adolescentes entre 15 e 19 anos dá à luz no país, o que representa uma taxa média de 43,6 nascimentos por mil meninas nessa faixa etária. Esses números são superiores aos registrados em países com renda semelhante, indicando que a prevenção ainda enfrenta obstáculos importantes.
A enfermeira obstetra Cora Caroline Santos Pereira, coordenadora do Centro de Parto Natural do Hospital Maternidade Paulino Werneck, no Rio de Janeiro, destaca que muitas dessas barreiras estão relacionadas a crenças equivocadas e desinformação. “Na prática clínica, noto que muitas adolescentes chegam já convencidas de que camisinha não funciona ou que métodos hormonais são sempre problemáticos, e isso interfere diretamente em suas escolhas”, explica a especialista.
Entre os mitos mais comuns estão ideias como a de que a camisinha diminui o prazer, que as pílulas anticoncepcionais sempre causam ganho de peso ou que “menina nova não engravida fácil”. Cora alerta que “a fertilidade na adolescência é real e muitas vezes elevada. Subestimar isso porque vimos um mito nas redes sociais ou ouvimos um comentário entre amigos é um risco que simplesmente não podemos ignorar”.
Além disso, a desinformação atual não vem mais do silêncio, mas do excesso de conteúdos sem base científica que circulam nas redes sociais. Isso expõe os adolescentes a opiniões e relatos pessoais que nem sempre refletem evidências confiáveis. Por isso, a especialista reforça a importância dos serviços de saúde como espaços seguros e sem julgamentos, onde dúvidas possam ser esclarecidas com responsabilidade.
A prevenção da gravidez na adolescência, segundo Cora, não se resume apenas à distribuição de métodos contraceptivos. “Envolve diálogo com a família, educação sexual nas escolas, acesso facilitado ao SUS e, principalmente, acolhimento. O adolescente precisa se sentir respeitado para buscar orientação.” Essa abordagem integrada é fundamental para enfrentar as barreiras que ainda sabotam a prevenção e garantir que as jovens tenham informações corretas para tomar decisões conscientes sobre sua saúde reprodutiva.
Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



