O Impacto Transformador do Empreendedorismo Feminino na Sociedade

Como o protagonismo das mulheres nos negócios impulsiona o desenvolvimento sustentável e a inovação social

Todo ser humano nasce com a capacidade de criar. Ignorar esse potencial, seja em homens ou mulheres, é um desserviço à sociedade. Mas quando pensamos no momento histórico em que vivemos, no qual tecnologia e conhecimento progridem de forma acelerada, o desperdício do talento feminino se torna ainda mais incompreensível. A mulher é fonte de vida, e também de ideias, de negócios e de prosperidade. Não aproveitar essa potência significa frear o desenvolvimento coletivo.

Quando uma sociedade não cria espaço real para que mulheres participem plenamente, empreendam, liderem e cresçam, torna-se praticamente impossível imaginar um avanço consistente. Os obstáculos que ainda enfrentamos, sejam preconceitos, exclusões ou barreiras silenciosas, não fazem sentido diante do que se deseja construir. São atitudes improdutivas que nos afastam da possibilidade de alcançar um desenvolvimento maduro e sustentável. A discussão aqui não é de privilégio, mas de lógica social. Não há como excluir a criatividade de metade da população e esperar inovação.

Esse apagamento feminino se torna evidente quando observamos os momentos de crise. O estudo “Mulheres, Empresas e o Direito 2021” (WBL 2021) do Banco Mundial mostrou que, durante a pandemia, as primeiras a serem dispensadas foram as mulheres, muitas delas arrimos de família. O impacto econômico dessas decisões reverbera na educação dos filhos, na saúde mental, na capacidade de planejamento das famílias e, consequentemente, na produtividade da sociedade. A pandemia apenas escancarou um quadro que já existia: mulheres sustentam, mas não são sustentadas por estruturas coerentes.

Agora, com dados mais recentes, vemos que o Brasil chegou ao final de 2024 com 51,7% dos lares sob liderança financeira feminina. Mesmo sustentando a economia doméstica, as mulheres ganham em média 32% a menos do que os homens. As mães solos chegam a receber 41% a menos do que homens na mesma situação. Esses números do estudo da FGV IBRE confirmam o que já era intuitivo: mulheres não estão apenas participando, elas estão sustentando. Então, por que ainda não são tratadas como pontos estratégicos do desenvolvimento nacional?

É comum ouvir que os jovens de hoje não têm interesse, não buscam resultados, não se engajam. Mas cada jovem tem uma história, um contexto e tem pais que também tiveram seus caminhos influenciados por barreiras e crenças do passado. A base precisa mudar. A visão empreendedora deve ser fomentada desde cedo, e o papel das mulheres nessa construção é determinante. Elas empreendem por necessidade, por vocação e por contribuição social. Olhar para isso não é proteger um grupo em detrimento de outro, é olhar para o ser humano e para o que ele tem a oferecer.

Quando excluímos talentos, perdemos desempenho. Alta performance nunca é apenas um número. O número é consequência. O que determina o resultado são as atitudes que o constroem. E atitudes preconceituosas, discriminatórias e excludentes não favorecem performance alguma. Pelo contrário, geram insegurança, abalam a saúde mental, inibem a criatividade e tornam qualquer discurso sobre inovação vazio. Não faz sentido desejar produtividade se sustentamos comportamentos que minam a produtividade na raiz.

Uma sociedade que quer resultados precisa ser coerente com as ações que levam até eles. E isso significa garantir espaço de criação para todos. É preciso que instituições, empresas e cidadãos se questionem para saber se o discurso de desenvolvimento está alinhado com práticas reais de aproveitamento de talentos. É responsabilidade de cada um mobilizar conhecimento, desenvolver ambientes criativos, fomentar negócios liderados por mulheres e enxergar a inovação como algo que nasce da diversidade.

O empreendedorismo feminino não é uma pauta isolada. Ele é um meio para que a sociedade avance. O que está em jogo não é a disputa entre gêneros, mas a construção de um futuro em que o potencial humano seja plenamente utilizado. Se queremos prosperidade, se buscamos resultados consistentes, precisamos de mulheres empreendendo, liderando, inspirando e transformando. Essa é a lógica, simples e direta, que sustenta qualquer economia que deseja evoluir.

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Por Denise Joaquim Marques

Consultora internacional de negócios, especialista em Vendas e Marketing, com foco em estratégias de alta performance, liderança comercial e diferenciação de mercado; MBA em Marketing pela FIA-FEA/USP; formações executivas em NYU, Columbia, Wharton e Northwestern; experiência em multinacionais do setor MedTech como Johnson & Johnson e LivaNova

Artigo de opinião

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