Do feed ao prato: os impactos do movimento wellness na saúde mental feminina
Como a busca por alimentação consciente pode influenciar a ansiedade e o autocuidado
O movimento wellness, que valoriza a alimentação consciente, tem conquistado cada vez mais espaço nas redes sociais e na cultura digital. No entanto, a neuropsicóloga Aline Reichert, do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental e do Hospital Estadual de Franco da Rocha, alerta para os riscos de discursos rígidos que transformam hábitos saudáveis em gatilhos de ansiedade e culpa.
Segundo a especialista, a alimentação funcional é frequentemente apresentada como o único caminho para a saúde, o que pode ativar a vigilância cognitiva, o hipermonitoramento corporal e o medo de errar. “Em vez de promover autocuidado, o foco passa a ser controle”, explica Aline Reichert. Essa rigidez pode surgir mesmo entre pacientes que estão em acompanhamento nutricional, quando criam expectativas muito rígidas sobre seu desempenho alimentar.
Esse padrão gera tensão e ansiedade, que podem desencadear episódios de compulsão e autossabotagem. A neuropsicóloga destaca que a alimentação consciente perde sua característica saudável ao perder a flexibilidade. O alerta é para quando a pessoa organiza sua rotina, vida social e autoestima exclusivamente em torno do que come, sente sofrimento ao sair do plano alimentar ou desenvolve medo intenso de determinados alimentos.
Além disso, a linguagem usada nas redes sociais contribui para esse processo. Termos como “comida limpa” ou “alimentos proibidos” criam uma associação moral com a comida, fazendo com que as pessoas se sintam boas ou ruins dependendo do que consomem. Esse tipo de discurso pode mascarar transtornos alimentares, como a ortorexia nervosa, que é uma fixação patológica por comer saudável e que gera sofrimento psicológico, prejuízo social e rigidez comportamental.
Aline Reichert ressalta que não é necessário ter histórico de transtorno alimentar para desenvolver uma relação adoecida com a comida, especialmente em pessoas com traços de autocobrança excessiva, baixa autoestima ou em momentos de transição emocional. No atendimento clínico, o foco é trabalhar metas possíveis, flexíveis e cultivar a compaixão consigo mesmo diante de recaídas. “Se hoje não deu certo, amanhã tentamos de novo. Não há por que se punir”, afirma a neuropsicóloga.
Outro ponto importante é o papel das redes sociais, que potencializam quadros como a ortorexia ao reforçar padrões irreais, estimular comparações e disseminar “receitas milagrosas”. Por isso, uma das primeiras orientações em casos de transtornos alimentares é reduzir o tempo de exposição às redes. “A realidade pode ser bem diferente do que vemos ali, e não devemos nos medir com a régua dos outros”, alerta Aline.
O desafio, segundo a especialista, é preservar a alimentação como um espaço de nutrição, prazer e vínculo social, sem transformá-la em instrumento de controle emocional.
Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa do CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



