Como a Gestão por OKRs Pode Evitar o Caos nas Trocas de Liderança
Entenda como um modelo estruturado de gestão promove estabilidade e alinhamento em momentos de transição de gestores
Mudanças na liderança fazem parte do dia a dia das empresas e podem sinalizar uma série de fatores: amadurecimento, reposicionamento estratégico ou a busca por novos resultados. No entanto, quando a troca de um gestor vem acompanhada de uma mudança brusca o impacto costuma ser profundo e quase sempre recai sobre quem sustenta a operação no dia a dia: a equipe.
É comum o novo gestor chegar cheio de ideias de mudanças. Afinal, se ele foi colocado ali, algo precisa ser ajustado. Novos processos, novas prioridades, novas formas de acompanhamento, novos rituais. Até aqui, sem grandes dores. O problema aparece quando essas transformações acontecem de forma abrupta, sem contexto, sem alinhamento prévio e, principalmente, sem uma comunicação clara de propósito.
O resultado é previsível: insegurança, queda de produtividade, sentimento coletivo de instabilidade, saída de colaboradores e outros resultados nada positivos. A equipe não tem clareza do que realmente importa. O que será cobrado? O que deixou de ser prioridade? O que ainda faz sentido manter? Por vezes, diante do novo, cresce um desejo de simplesmente agradar a nova liderança, mas sem um norte para isso. Em vez de focar no resultado, instala-se um clima de autoproteção. As pessoas passam a trabalhar para “não errar”, e não para gerar impacto.
Mudanças bem explicadas, bem ancoradas em objetivos claros e mensuráveis, tendem a ser absorvidas com muito mais maturidade. É exatamente nesse ponto que muitas empresas percebem, por vezes tardiamente, a ausência de um modelo de gestão que funcione como fio condutor entre estratégia, liderança e execução.
A gestão por OKRs – Objectives and Key Results – torna esse processo significativamente menos traumático. Não porque seja uma solução mágica, mas porque é um método claro e estruturado. Diferentemente de modelos baseados apenas em tarefas, hierarquia ou controle, os OKRs criam um alinhamento explícito sobre o que é prioridade, porque aquilo importa e como o sucesso será medido. E mais, esse material não fica restrito à alta cúpula, ele é, e precisa ser, de conhecimento dos envolvidos. Eles funcionam como uma linguagem comum entre liderança e times, independentemente de quem esteja no comando.
Assim, numa companhia que tem a gestão por OKRs, a chegada de um novo gestor não significa um “reset” completo da forma de trabalhar. Os objetivos estratégicos da empresa permanecem visíveis, públicos e compartilhados, sempre lembrando para os dois lados: direção e time. O que muda é a forma de contribuir para eles e isso pode e deve ser discutido de maneira transparente, colaborativa e baseada em dados.
Além disso, os OKRs reduzem o risco de decisões excessivamente personalistas. Quando tudo gira em torno de metas claras e resultados-chave bem definidos, o foco deixa de ser o estilo do gestor e passa a ser o impacto gerado. A equipe entende onde precisa chegar e tem mais autonomia para decidir como chegar lá, o que diminui a sensação de estar à mercê de mudanças repentinas de humor, visão ou preferência.
Outro ponto fundamental é que os OKRs criam previsibilidade em meio à mudança. Mesmo que processos sejam ajustados, rituais revistos ou prioridades refinadas, os objetivos funcionam como um norte estável. Eles ajudam a equipe a compreender que a transformação não é um capricho, mas parte de um movimento estratégico maior.
Trocar gestores não precisa ser sinônimo de instabilidade. Mas, para isso, é necessário que a empresa tenha clareza estratégica e modelos que sobrevivam às pessoas e não o contrário. Em um mundo corporativo cada vez mais dinâmico, estruturas como os OKRs deixam de ser uma metodologia moderna e assumem o status de um elemento de segurança psicológica, alinhamento e sustentabilidade organizacional.
No fim, as lideranças passam. As estratégias evoluem. Mas equipes só performam de verdade quando sabem exatamente onde estão, para onde vão e como serão avaliadas ao longo do caminho.
Por Pedro Signorelli
especialista em gestão e OKRs; um dos maiores especialistas do Brasil em gestão, com ênfase em OKRs; já movimentou com seus projetos mais de R$ 2 bi; responsável pelo case da Nextel, maior e mais rápida implementação da ferramenta nas Américas
Artigo de opinião



