Arquitetura Sensorial: A Revolução do Conforto e da Identidade nos Projetos Residenciais
Como a personalização e a atenção às sensações transformam casas padronizadas em lares acolhedores e únicos
A arquitetura sensorial passa a ocupar um papel de destaque no debate sobre moradia no Brasil, impulsionada pela busca por bem-estar e pela insatisfação crescente com projetos residenciais padronizados. Em um mercado marcado pela repetição de formas, materiais e layouts, arquitetos começam a ampliar as soluções que consideram o comportamento, a história e as sensações de quem habita o espaço.
O tema ganhou repercussão recente após declarações do cantor João Gomes, que relatou publicamente a frustração ao receber propostas de casas modernas, com estética rígida e linhas retas, que não dialogavam com sua referência afetiva de moradia, inspirada nos casarões e alpendres do sertão nordestino. O episódio abriu espaço para a discussão sobre até que ponto a padronização atende, de fato, às necessidades individuais dos moradores.
“Quando o projeto ignora a identidade de quem vai viver naquele espaço, ele deixa de cumprir sua função principal, que é acolher”, afirma Rose Chaves, arquiteta com mais de 30 anos de atuação no mercado e especialista em pisos e revestimentos. “Arquitetura sensorial não é tendência estética, é uma resposta técnica e humana à forma como as pessoas querem se sentir dentro de casa.”
Segundo Rose, aspectos como iluminação natural, ventilação, acústica, temperatura dos materiais, texturas e escolhas cromáticas influenciam diretamente a rotina e o bem-estar. Esses elementos, muitas vezes tratados como detalhes, se tornam estruturais em projetos autorais, desenhados a partir da escuta ativa do cliente.
A valorização do feito sob medida também se reflete na escolha de acabamentos e revestimentos. Materiais deixam de cumprir apenas um papel visual e passam a ser selecionados pelo desempenho térmico, conforto ao toque, durabilidade e relação com o uso cotidiano. Para a arquiteta, esse cuidado contribui para ambientes mais saudáveis e duradouros.
“O contraponto à casa padronizada está no projeto que respeita a história, os hábitos e até a memória afetiva de quem mora ali. Personalizar não é excessivo, é essencial para criar espaços que façam sentido ao longo do tempo”, diz Rose.
Por Rose Chaves
Arquiteta com mais de 30 anos de atuação, especialista em pisos e revestimentos, responsável pela Prime Revest, loja conceituada de revestimentos em Santo André, São Paulo
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