Violência Juvenil e Educação: Reflexões sobre Controle, Limites e Empatia desde a Infância

O caso do cão Orelha revela desafios atuais na formação de jovens e a importância do papel familiar no desenvolvimento de valores contra a violência

O episódio com o cão Orelha, no litoral de Santa Catarina, divulgado recentemente, colocou em evidência o comportamento de jovens de classe média alta, chocando o Brasil pela possibilidade de ter havido extrema crueldade por parte de quatro adolescentes, o que ainda está sendo apurado por investigações policiais. Depois da série Adolescência, estamos novamente diante de questionamentos acerca das atitudes juvenis do nosso tempo, da dificuldade de os jovens aceitarem limites, e da aparente afinidade que desenvolveram em relação a atos violentos, como se fossem justificáveis.

A juíza que apura o caso comentou que esse tipo de ocorrência tem se repetido entre jovens que gozam de ótimas condições sociais, econômicas, educacionais e estrutura familiar. Há comentários informais onde ela sugere que esse aumento da violência juvenil pode estar relacionado a exposição a imagens agressivas em ambientes digitais. Esse cenário, antes ocasional, parece ter assumido uma frequência intrigante, evidenciando o envolvimento de jovens que teriam tudo para expressar o melhor, não o pior. Estamos retornando ao tema de série mencionada no início, de altíssima audiência, e conteúdo de tantas manifestações de especialistas e formadores de opinião.

Como pediatra, me pergunto como posso auxiliar as famílias a adotarem providências que impeçam qualquer tendência a violência, que possa evoluir para atitudes concretas. A orientação sobre o que deveria ser certo ou errado deve vir desde cedo no processo educativo de crianças no meio familiar. Quando surge algum ato de agressividade ou falta de respeito com outro ser vivo, é preciso repreender, colocar limite.

As crianças têm que ter supervisão de um adulto em tempo integral, não estão seguras diante das telas. Os pais precisam saber o que seus filhos estão fazendo com amigos em ambiente digital, sendo eles os responsáveis legais pelos atos dos menores de idade.

O amor ao próximo tem que ser incentivado, o ódio e a violência advertidos como sentimentos destrutivos, que obstruem a convivência social harmônica, e isso tem tudo a ver com a boa relação com animais, que tem que ser ensinada.

Em relação aos animais domésticos, sabe-se que eles participam do bom desenvolvimento das crianças. Há estudos indicando que o contato com pets reduz os problemas de saúde mental. Ter um cãozinho de estimação, desde pequeno, ensina sobre os ciclos da vida, sobre a necessidade de cuidado com o outro, desenvolve empatia e respeito aos seres vivos e explica, na prática, o que é companheirismo. Um animal de estimação ajuda a criança a lidar com alegria e tristeza, saúde e doença, ajuda a melhorar as habilidades sociais e ter um desenvolvimento emocional mais saudável.

Proteger e orientar crianças e jovens é necessário e urgente, até que desenvolvam autonomia e se comportem de maneira consequente, para o bem deles, de suas famílias, dos animais e de toda a sociedade.

D

Por Dra. Letícia Corrêa

Médica, formada pela Universidade Federal do Paraná, residência médica no Hospital das Clínicas em São Paulo, especialização em Neonatologia na USP, ex-professora assistente na USP, 20 anos de experiência em São Paulo, especialista em atendimento em sala de parto, berçário e UTI neonatal, especialista em prematuros e nascidos de alto risco, experiência em aleitamento materno e banco de leite, atua em Neonatologia, Pediatria e Puericultura.

Artigo de opinião

👁️ 50 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar