Cooperativismo e Sustentabilidade: O Futuro dos Negócios no Brasil em 2026
Como modelos colaborativos e baseados em propósito estão transformando o mercado, unindo retorno financeiro e impacto social positivo
Com 76% das empresas já adotando práticas sustentáveis com algum grau de maturidade, modelos colaborativos e baseados em propósito ganham espaço no país.
Embora apresente dificuldades de implementação para muitas empresas, a agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) continua fazendo parte das estratégias corporativas. Dados do Panorama da Sustentabilidade 2025, desenvolvido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AMCHAM), mostram que 76% das companhias adotaram práticas sustentáveis com algum grau de maturidade, um salto de cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior. O movimento sugere que, neste ano, negócios capazes de integrar sustentabilidade, propósito e retorno financeiro ganharão mais protagonismo no mercado brasileiro.
Nesse cenário, as cooperativas despontam como alternativas naturalmente alinhadas às novas expectativas das empresas e consumidores. Uma instituição que respira essa filosofia é a Coopercompany, primeira cooperativa do Brasil do ramo de infraestrutura com foco em telecom, tecnologia e energia. Ela atua a partir de um modelo que prioriza a colaboração entre associados, a tomada de decisão democrática e a geração de valor compartilhado.
Para Igor Sigiani, diretor-presidente da cooperativa, modelos de negócio em que sustentabilidade e resultado caminham juntos desde o início podem auxiliar quem busca resultados a longo prazo. “A AMCHAM aponta que 58% das empresas acreditam que a sustentabilidade gera retorno financeiro, porém têm dificuldades para metrificar esse número. O cooperativismo é um caminho que coloca a sustentabilidade no centro do negócio e nos relacionamos com a sociedade, então o cálculo é muito mais simples, embora nosso objetivo não seja o lucro”, acrescenta.
Outro desafio recorrente identificado pelo Panorama é engajar lideranças e integrar a pauta sustentável à estratégia corporativa. Sigiani defende que estruturas colaborativas ajudam a reduzir essa distância. “Quando pessoas e propósito estão conectados, a sustentabilidade deixa de ser um discurso e passa a orientar escolhas reais. No cooperativismo, o cooperado é parte ativa da estratégia, o que gera mais comprometimento e visão de longo prazo”, explica.
Cooperativismo no mundo
Os números globais reforçam a relevância desse modelo. Hoje, existem mais de três milhões de cooperativas no mundo, responsáveis por empregar cerca de 10% da população economicamente ativa.
Para Sigiani, esses dados mostram que o cooperativismo é economicamente viável, escalável e socialmente relevante. “Cooperativas são prova concreta de que é possível crescer, gerar empregos e, ao mesmo tempo, promover desenvolvimento social e ambiental”, destaca.
O levantamento também revela que 87% das empresas em estágio avançado de sustentabilidade percebem maior impacto positivo na sociedade.
“O mercado caminha para valorizar negócios que entregam resultado financeiro sem perder o compromisso com pessoas e com o entorno. Em 2026, esperamos ver mais empresas inspirando-se em modelos cooperativos para construir essa consistência”, conclui o diretor-presidente da Coopercompany.
Por Igor Sigiani
diretor-presidente da Coopercompany, primeira cooperativa de infraestrutura do país com foco em telecom, tecnologia e energia
Artigo de opinião



