No Brasil, CEP ainda determina chances de cura do câncer infantojuvenil

Diferenças regionais revelam desigualdade no acesso ao diagnóstico e tratamento do câncer infantil

No Brasil, o local onde a criança nasce ainda influencia diretamente suas chances de cura do câncer infantojuvenil. Segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar cerca de 7.560 novos casos anuais entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, com uma taxa média nacional de cura em torno de 64%. No entanto, essa média esconde uma realidade desigual: enquanto as regiões Sul e Sudeste apresentam taxas de sobrevida próximas a 75% e 70%, respectivamente, o Norte não ultrapassa os 50%.

Essa disparidade reflete não apenas diferenças geográficas, mas também desigualdades no acesso a diagnóstico e tratamento especializados. O oncopediatra Sidnei Epelman, diretor do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde e presidente da TUCCA, destaca que “essa diferença é inaceitável e reflete desigualdades que vão muito além do acesso geográfico”. Ele ressalta que, em países desenvolvidos, as chances de cura superam 80%, enquanto no Brasil regiões inteiras ainda enfrentam índices muito inferiores.

O INCA, pela primeira vez, detalhou a distribuição espacial da incidência do câncer infantojuvenil no país por meio do Projeto OncoBrasil. O levantamento aponta que estados do Sul, como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de Pernambuco, Paraíba e São Paulo, apresentam taxas mais elevadas, indicando maior capacidade de diagnóstico. Já outras regiões convivem com subdiagnóstico, o que dificulta o acesso ao tratamento adequado.

Entre os principais desafios estão atrasos no diagnóstico, dificuldade de acesso a centros especializados, falta de exames moleculares e menor oferta de terapias modernas no sistema público. “Hoje já temos tecnologia para tratar pacientes e garantir níveis de resposta positiva idênticos aos padrões internacionais. O problema é que isso ainda não chega a todos. No Brasil, o CEP continua sendo um fator determinante para a sobrevivência”, afirma Epelman.

Os tumores mais comuns na infância incluem leucemias e tumores do sistema nervoso central, enquanto entre adolescentes predominam linfomas e carcinomas. Os sintomas iniciais são muitas vezes inespecíficos, como palidez, cansaço extremo, hematomas, ínguas persistentes e dores de cabeça frequentes, o que dificulta o reconhecimento precoce.

Apesar dos avanços científicos, como imunoterapia, anticorpos monoclonais e terapias-alvo, o acesso a essas inovações ainda é restrito no SUS. O especialista reforça que “a medicina de precisão ainda é privilégio de poucos” e que é necessário ampliar a pesquisa clínica pediátrica e o financiamento para garantir que todas as crianças tenham acesso ao tratamento adequado.

Para que o Brasil alcance uma taxa de cura próxima a 80%, são necessárias ações como diagnóstico mais rápido, capacitação da atenção primária, integração da rede oncológica pediátrica, acesso a exames modernos, incorporação de novas terapias e incentivo à pesquisa clínica. O conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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