Dia Internacional de Combate ao Câncer Infantil: desigualdades no Brasil e desafios para a cura

Região de nascimento ainda influencia as chances de sobrevivência ao câncer infantojuvenil no país

No Dia Internacional de Combate ao Câncer Infantil, celebrado em 15 de fevereiro, dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) destacam um cenário preocupante no Brasil: as chances de cura do câncer infantojuvenil ainda são fortemente influenciadas pelo local de nascimento da criança. Estima-se que entre 2026 e 2028 o país registre cerca de 7.560 novos casos anuais em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, com uma taxa média nacional de cura em torno de 64%.

Entretanto, essa média esconde desigualdades regionais profundas. Enquanto as regiões Sul e Sudeste alcançam taxas de sobrevida próximas a 75% e 70%, respectivamente, o Norte do Brasil apresenta índices inferiores a 50%. Segundo o oncopediatra Sidnei Epelman, diretor do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde e presidente da TUCCA, “essa diferença é inaceitável e reflete desigualdades que vão muito além do acesso geográfico”.

O levantamento do INCA, realizado por meio do Projeto OncoBrasil, revela que a variação na incidência do câncer infantojuvenil está associada principalmente à capacidade diagnóstica e à organização da rede de atenção oncológica pediátrica. Estados do Sul, como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de Pernambuco, Paraíba e São Paulo, apresentam taxas mais elevadas, indicando maior capacidade de identificar e registrar casos. Já outras regiões convivem com subdiagnóstico, o que dificulta o acesso ao tratamento adequado.

O especialista destaca que o problema não está apenas na medicina disponível, mas também nos atrasos no diagnóstico, na dificuldade de acesso a centros especializados e na menor oferta de exames moleculares e terapias modernas no sistema público. “Hoje já temos tecnologia para tratar pacientes e garantir níveis de resposta positiva idênticos aos padrões internacionais. O problema é que isso ainda não chega a todos. No Brasil, o CEP continua sendo um fator determinante para a sobrevivência”, afirma Epelman.

Os tumores mais comuns na infância são as leucemias e os tumores do sistema nervoso central, seguidos por linfomas, sarcomas de partes moles, neuroblastoma e retinoblastoma. Entre adolescentes, linfomas de Hodgkin e não Hodgkin, tumores de células germinativas e carcinomas ganham destaque. Os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos, como palidez, cansaço extremo, hematomas, ínguas persistentes e dores de cabeça frequentes, o que dificulta o reconhecimento precoce.

Apesar dos avanços científicos, como imunoterapia, anticorpos monoclonais, terapias-alvo e CAR-T, que já permitem índices de cura próximos a 80% em centros de excelência, o acesso a essas inovações ainda é limitado no SUS. O oncopediatra ressalta que “a medicina de precisão ainda é privilégio de poucos” e que o sistema público enfrenta desafios como falta de incorporação tecnológica, pesquisa clínica pediátrica e financiamento adequado.

Para que o Brasil alcance uma taxa de cura de 80%, são necessárias ações como diagnóstico mais rápido, capacitação da atenção primária, integração da rede oncológica pediátrica, ampliação do acesso a exames modernos, incorporação de novas terapias e incentivo à pesquisa clínica pediátrica. Essas medidas são essenciais para reduzir as desigualdades regionais e garantir que todas as crianças tenham acesso ao tratamento adequado, independentemente do CEP onde nasceram.

Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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