Bad Bunny no Super Bowl e a Revolução da Economia da Atenção no Marketing
Como a conexão com movimentos culturais redefine estratégias de crescimento em um mundo de mídia fragmentada
O Super Bowl de 2026 reforçou uma mudança estrutural no mercado: em um cenário de mídia cada vez mais fragmentada, a disputa por atenção deixou de ser apenas uma questão de marketing e passou a impactar diretamente as estratégias de crescimento das empresas. A repercussão global da apresentação de Bad Bunny no intervalo da final reacendeu o debate sobre como grandes eventos culturais vêm se consolidando como plataformas decisivas de visibilidade, influência e posicionamento de marcas.
Hoje, não basta ampliar orçamento publicitário. As empresas que crescem de forma mais consistente são aquelas que conseguem se conectar a movimentos culturais reais, que já mobilizam atenção, identidade e conversa pública. O Super Bowl segue sendo o espaço publicitário mais valorizado da televisão mundial. Em 2026, anúncios de 30 segundos atingiram valores médios próximos a US$ 8 milhões, podendo chegar a até US$ 10 milhões em posições premium. A final também costuma superar 120 milhões de espectadores somando TV e streaming, mesmo em um ambiente de consumo de mídia cada vez mais pulverizado.
Esses números ajudam a explicar por que eventos desse porte funcionam como termômetros do mercado. Quando esporte, cultura e publicidade se encontram em um único palco, fica claro que a atenção virou o ativo mais disputado da economia digital. Não se trata apenas de alcance, mas de relevância e significado.
A repercussão cultural do Super Bowl revela um desafio direto para líderes empresariais. Muitas empresas ainda operam com uma lógica de mídia baseada em interrupção. O que estamos vendo é que crescimento sustentável exige participação em contextos culturais que já geram engajamento orgânico e identificação com o público.
O aprendizado para marcas brasileiras é claro. Não é uma questão de copiar formatos ou investir em grandes eventos globais, mas de entender profundamente o contexto cultural do próprio público e usar isso como alavanca estratégica. Ignorar essa mudança pode custar relevância e crescimento, independentemente do tamanho do orçamento.
Por Eduardo Schuler
CEO da Smart Consultoria, especialista em growth, vendas e marketing orientado por dados
Artigo de opinião



