Chaiany e a força da autenticidade no mercado publicitário pós-BBB 26
Como a comunicação genuína transforma participantes de reality em ativos valiosos para marcas e público
A trajetória de Chaiany Andrade no Big Brother Brasil 26 ajuda a revelar um movimento cada vez mais visível no mercado de imagem, influência e reputação, no qual a comunicação genuína passa a ser tratada como valor estratégico. Aos 25 anos, desempregada antes de entrar no programa, a participante se tornou, ainda durante o reality, a mais procurada por marcas interessadas em ações publicitárias. Ao deixar o BBB, deve acumular compromissos comerciais e negociações, inclusive com a própria Globo, que avalia a renovação de seu contrato.
O interesse despertado não vem de uma oratória artificial nem de um cálculo milimétrico de tudo que vai ser dito. O que chama atenção é a forma direta, carismática e emocionalmente coerente com que Chaiany se expressa diante das câmeras. Trata-se de uma fala com poucos filtros, capaz de gerar identificação imediata com o público e de converter empatia em valor de mercado.
Para Cristian Magalhães, especialista em comunicação intencional, o caso evidencia uma mudança nos critérios que sustentam a credibilidade pública. “A percepção de valor dita a imagem que as pessoas vão ter na cabeça. O público percebe quando alguém fala a partir da própria experiência, sem recorrer a personagens. Comunicação intencional não se trata de retórica elaborada. Depende da verdade organizada”, explica.
O fenômeno observado no BBB 26 dialoga com trajetórias recentes do programa. A vencedora do BBB 21, Juliette, construiu sua imagem pública a partir de uma comunicação emocionalmente transparente, que gerou identificação, confiança e permanência no imaginário coletivo. Outros participantes, inicialmente questionados pela forma de se expressar, encontraram força ao preservar a própria identidade e desenvolver clareza ao longo do tempo, transformando vulnerabilidade em capital simbólico.
Segundo Magalhães, o reality volta a evidenciar um ponto central sobre comunicação. “Oratória não significa apagar quem se é para se encaixar em um modelo. Oratória é sobre aprender a estruturar a mensagem sem trair a própria essência. Quando a comunicação é genuína, ela constrói confiança, e a confiança antecede qualquer relação comercial ou social”, afirma.
A movimentação do mercado em torno de Chaiany confirma essa lógica. As marcas passaram a buscar mais do que alcance ou estética e passaram a valorizar coerência, experiência real e discursos percebidos como verdadeiros. O Big Brother Brasil funciona como um teste público permanente, no qual falas ensaiadas tendem a perder força ao longo do tempo, enquanto a autenticidade se sustenta.
“Chaiany se soma a um grupo de participantes que transformaram espontaneidade em ativo estratégico. Para o público, ganha força na identificação. Para o mercado se torna ativo pela inocência e leveza de discurso, em um ambiente saturado e onde a comunicação genuína volta a ocupar espaço central”, conclui Magalhães.
Por Cristian Magalhães
especialista em comunicação intencional
Artigo de opinião



