Quiet Luxury: O Luxo do Silêncio que Transforma Experiências e Valoriza Produtos
Como o conceito de luxo discreto redefine a percepção de valor e impulsiona vendas no mercado de casa e decoração para 2026
Em um mercado cada vez mais saturado por estímulos visuais, excesso de informação e disputas de preço, o silêncio surge como estratégia. Esse foi o ponto de partida da palestra “Quiet luxury: como o silêncio pode ajudar nas suas vendas”, apresentada por Fernanda Berendt durante a 16ª ABCasa Fair, maior feira de artigos para casa e decoração da América Latina.
Pesquisadora do morar, designer de interiores e criadora do canal Casa+, Fernanda trouxe uma reflexão sobre o novo luxo contemporâneo: aquele que não quer aparecer, mas ser reconhecido. “O quiet luxury não é sobre parecer caro, é sobre parecer certo. É o luxo que se percebe no material, na textura, no caimento, na durabilidade e na curadoria. É comprar um legado, não um excesso”, explicou.
Segundo a especialista, objetos comunicam pertencimento, repertório e posição. “Quanto mais conhecimento, mais silêncio. Quando falta repertório, sobra grito. Hoje em dia, o valor saiu do brilho e foi para a experiência.” Um exemplo citado foi o da hotelaria de alto padrão, em que hotéis de estética aparentemente simples praticam diárias elevadas justamente por concentrarem valor em experiência, materialidade e narrativa.
Na prática, o quiet luxury se traduz em projetos e produtos que valorizam materiais verdadeiros e duráveis, como linho, algodão, madeira maciça, pedra natural e cerâmica artesanal, além de acabamentos foscos e uma paleta de tons naturais. A estética privilegia a atemporalidade, com peças que não giram em torno de tendências passageiras e envelhecem bem ao longo do tempo.
“A sofisticação hoje é edição, não excesso. A ideia então é comprar menos, mas comprar melhor”, resumiu Fernanda. Para ela, a curadoria de poucos elementos bem escolhidos, com narrativa clara e coerente, gera coleções mais consistentes e capazes de sustentar um valor agregado maior do que linhas extensas e sem conceito.
Fernanda compartilhou experiências pessoais e profissionais para ilustrar como o foco em qualidade, sensação e história pode gerar valor econômico. Em Trancoso, por exemplo, onde mantém uma casa de veraneio, durante a construção optou por materiais naturais e soluções simples, sem revestimentos artificiais. Ela diz que não apenas criou uma experiência mais verdadeira, como aumentou significativamente o valor do imóvel na região que mais traduz o conceito no Brasil.
“O quiet luxury não reduz valor, ele concentra. Quando tudo fala, nada é ouvido, por isso você vende o produto pela história que conta. Quando o cliente se envolve, ele deixa de enxergar como custo e passa a entender como investimento.”
Produtos com história aumentam o valor percebido, reduzem a comparação por preço e sustentam um ticket médio mais alto.
Outro ponto central da palestra foi como vender algo que, por essência, não quer ser amplamente massificado. Para Fernanda, o primeiro passo é investir no treinamento das equipes: “do WhatsApp ao atendimento presencial, as pessoas precisam dominar a história da marca, falar bem, conhecer os materiais e entender o propósito do produto. Educar o cliente é essencial, para isso você pode promover experiências sensoriais, encontros, jantares e demonstrações, além de investir em marketing visual eficiente, e assim você vende pela história que conta.”
Por Fernanda Berendt
Pesquisadora do morar, designer de interiores, criadora do canal Casa+ com mais de 91 mil inscritos no YouTube
Artigo de opinião



