Cirurgia bariátrica pode melhorar a saúde do fígado em apenas 6 meses, aponta estudo recente
Pesquisa internacional mostra redução significativa da gordura e da rigidez do fígado pouco tempo após o procedimento — um dado relevante para o Brasil, onde obesidade e síndrome metabólica crescem ano após ano.
A cirurgia bariátrica é amplamente conhecida pelos efeitos na perda de peso e no controle do diabetes. Mas um estudo publicado em fevereiro de 2026 trouxe um dado que amplia — e muito — o impacto desse tipo de procedimento: em apenas seis meses, já é possível observar melhora significativa da saúde do fígado em pacientes com MASLD, a doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica.
O trabalho avaliou pacientes submetidos à bariátrica usando o FibroScan, exame não invasivo que mede tanto a quantidade de gordura quanto a rigidez do fígado, um indicador indireto de fibrose.
O que é MASLD e por que ela preocupa
A MASLD (Metabolic Dysfunction-Associated Steatotic Liver Disease) é o novo termo para a antiga “esteatose hepática não alcoólica”. Ela ocorre quando há acúmulo de gordura no fígado associado a fatores metabólicos, como:
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obesidade
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resistência à insulina
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diabetes tipo 2
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colesterol e triglicerídeos elevados
O problema é que, silenciosa no início, a MASLD pode evoluir para fibrose, cirrose e até câncer hepático se não for diagnosticada e tratada a tempo.
O que o estudo descobriu
A pesquisa acompanhou pacientes por seis meses após a cirurgia bariátrica e encontrou resultados claros:
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Redução significativa da gordura no fígado
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Diminuição da rigidez hepática, sugerindo regressão da fibrose
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Melhoras mensuráveis mesmo em um período considerado curto no pós-operatório
Tudo isso foi avaliado por meio do FibroScan, que dispensa biópsia e permite acompanhamento contínuo da evolução do órgão.
🔍 O que é o FibroScan?
O FibroScan é um exame não invasivo que permite avaliar a saúde do fígado sem necessidade de biópsia. Ele utiliza ondas de ultrassom para medir dois indicadores fundamentais:
- • Gordura no fígado (CAP): indica o grau de esteatose hepática.
- • Rigidez hepática (LSM): relacionada à presença e ao grau de fibrose.
O procedimento é rápido, indolor e leva apenas alguns minutos. Por isso, o FibroScan é amplamente utilizado no diagnóstico e acompanhamento de doenças hepáticas associadas à obesidade, ao diabetes e à síndrome metabólica.
No estudo publicado em 2026, o FibroScan foi decisivo para demonstrar que já em seis meses após a cirurgia bariátrica houve melhora mensurável da saúde do fígado.
Por que isso é importante para o Brasil
O Brasil vive uma combinação preocupante: alta prevalência de obesidade, diabetes e síndrome metabólica. Isso coloca milhões de pessoas em risco silencioso de desenvolver doenças hepáticas.
Na prática, o estudo reforça que a cirurgia bariátrica não atua apenas no peso corporal, mas pode funcionar como uma intervenção metabólica profunda, capaz de:
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reduzir inflamação sistêmica
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melhorar a função hepática
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diminuir o risco de complicações futuras no fígado
Para sistemas de saúde e para pacientes, isso significa prevenção de doenças graves antes que elas avancem.
O fígado responde rápido às mudanças
Um dos pontos mais interessantes do estudo é o tempo: seis meses.
Isso mostra que o fígado é um órgão altamente responsivo quando o ambiente metabólico melhora — seja pela perda de peso, seja pela redução da resistência à insulina e da inflamação crônica.
Não se trata de uma solução mágica, mas de um reposicionamento metabólico do corpo.
O que isso muda na conversa sobre bariátrica
Por muito tempo, a cirurgia bariátrica foi vista apenas como último recurso estético ou de emagrecimento extremo. Estudos como esse ajudam a reposicionar o procedimento como uma ferramenta terapêutica, com impacto direto na saúde de órgãos vitais.
Especialmente para pessoas com obesidade associada a alterações hepáticas, o acompanhamento do fígado antes e depois da cirurgia ganha ainda mais importância.
Ciência por trás do estudo
O artigo foi publicado na revista Scientific Reports e pode ser citado da seguinte forma:
Sivakumar, W., O’Connor, D., Shabana, H. et al. The early impact of bariatric surgery on metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease (MASLD) as assessed by fibroscan at 6 months postoperatively. Scientific Reports (2026).
DOI: 10.1038/s41598-026-39142-x
Publicado em 09 de fevereiro de 2026.



