A Doença como Caminho de Crescimento e Esperança

Refletindo sobre o verdadeiro significado do sofrimento no Dia Mundial do Enfermo

Estamos recordando o Dia Mundial do Enfermo, instituído pelo Papa João Paulo II para nos fazer pensar na necessidade do cuidado e atenção com todos os enfermos do mundo. A enfermidade é algo próprio da natureza humana; ora ou outra estamos ou estaremos doentes, e ninguém pode escapar disso.

Mas, acima de tudo, percebemos que o próprio Jesus tinha um olhar atento a essa condição de fraqueza e limitação. Jesus pede que cuidemos de cada enfermo, mistério da redenção divina. No Evangelho de São Mateus, Jesus apresenta o juízo final como uma avaliação daqueles que se aproximaram dos enfermos, dizendo: “Eu estava enfermo e cuidaste de mim”. O texto segue com o questionamento dos justos: “quando foi que estava enfermo?” E Jesus afirma: “O que foi feito àquele pequenino foi a mim que o fizeste” (Cf. Mt 25, 35-40).

Diante dessa realidade, percebemos que no enfermo está um mistério da presença escondida de Jesus, um Jesus sofredor, esquecido, enfraquecido. Tudo que fazemos aos doentes fazemos ao próprio Deus. Esse fato levou muitos homens e mulheres ao caminho da santidade, como São Camilo de Lellis, Santa Tereza de Calcutá e tantos outros que cuidaram dos doentes. Mas também muitos homens que se encontraram com Jesus na doença, como Santo Inácio de Loyola, São Peregrino e São Roque.

A doença é uma oportunidade de amadurecimento e não um ponto final. Recordo-me que, quando fiz o tratamento de câncer, tinha muito medo da morte, até ouvir de um padre que a doença não é sinônimo de morte, mas sim de crescimento, desafio, descoberta e amadurecimento. Não podemos sofrer de vésperas e, por causa do medo, nos preocupar com aquilo que ainda não aconteceu. Ao contrário, devemos nos entregar a Jesus de todo coração, principalmente nossas dores e sofrimentos.

Todo e qualquer enfermo vive um misto de emoções, e aqueles que estão ao seu redor devem ajudá-lo com otimismo cristão. É preciso compreender que a doença é uma passagem e não um ponto final, por isso o doente não deve deixar de viver e sonhar. Quem o acompanha precisa alimentar nele essa esperança de viver, mesmo em condições adversas e limitadas. Na minha doença, nunca deixei de passear e fazer coisas simples do dia a dia, que faziam com que eu me sentisse vivo.

Deixo minhas orações aos enfermos e aos cuidadores para que tenhamos a certeza da presença e do consolo de Jesus, que conhece todas as coisas, sofre conosco e cuida de nós.

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Por Pe. Rafael Vitto

Padre, missionário da Comunidade Canção Nova

Artigo de opinião

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