Volta às aulas revela falta de recursos para alunos com deficiência visual nas escolas
Inclusão escolar enfrenta desafios como ausência de materiais adaptados e capacitação docente
A volta às aulas reacende o debate sobre a inclusão de crianças e adolescentes com deficiência visual nas escolas brasileiras. Apesar dos avanços na legislação, muitas instituições ainda enfrentam dificuldades para oferecer recursos adequados que garantam o acesso igualitário à educação para alunos cegos ou com baixa visão.
Entre os principais desafios estão a falta de materiais didáticos adaptados, como livros em Braille, audiobooks e soroban, além do acesso limitado a tecnologias assistivas, como máquinas de escrever em Braille. Esses recursos são fundamentais para que os estudantes possam acompanhar o conteúdo escolar com autonomia e qualidade.
Junia Buzim, pedagoga da Laramara – Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual, destaca que “a volta às aulas já é um desafio para os alunos, pois envolve adaptação à rotina de ensino. Para os estudantes com deficiência visual, essa adaptação pode ser ainda mais difícil se não houver recursos que permitam o aprendizado em igualdade de condições.” Ela reforça que essas tecnologias contribuem significativamente para o desenvolvimento escolar desses alunos.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 2,9 milhões de pessoas acima de 15 anos com algum tipo de deficiência, incluindo cegueira e baixa visão, não são alfabetizadas devido à falta de recursos nas escolas. Essa realidade evidencia a urgência de melhorias no sistema educacional para garantir o direito à educação inclusiva.
Beto Pereira, analista de relações institucionais da Laramara, ressalta a importância da máquina Braille, que “além de auxiliar no processo de alfabetização, proporciona mais independência para a criança e para o adulto que ela virá a ser.” Ele também chama atenção para a ausência do livro didático em Braille ou adaptado, que, apesar de garantido por lei, muitas vezes chega com atraso ou não é disponibilizado durante o período escolar.
Outro ponto crítico é a insuficiente capacitação dos professores das redes pública e privada para atender alunos com deficiência visual. A formação pedagógica atual não prepara a maioria dos profissionais para utilizar recursos de acessibilidade, o que limita a inclusão e sobrecarrega os poucos educadores especializados disponíveis.
Para que esses alunos possam se tornar adultos independentes e funcionais, é essencial que a integração comece no ambiente escolar. Segundo Pereira, “esses equipamentos de aprendizagem adaptados para pessoas cegas e pessoas com baixa visão são a porta de entrada para uma condição mais justa em diversos âmbitos da vida, inclusive no ambiente profissional.”
A Laramara, fundada em 1991, é referência nacional no atendimento a pessoas cegas e com baixa visão e produz máquinas de escrever em Braille desde 1998, com suporte técnico da FIESP e SENAI. A instituição também doa esses aparelhos para democratizar o acesso ao conhecimento.
Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



