Sabão ecológico transforma óleo usado em solução para saneamento na Mangueira
Projeto inovador une ciência, sustentabilidade e tecnologia social para melhorar a qualidade de vida local
Na comunidade da Mangueira, zona norte do Rio de Janeiro, uma iniciativa inovadora está transformando o óleo de cozinha usado em uma solução ecológica para o tratamento de esgoto. Desenvolvido pelo Instituto Singular Ideias Inovadoras (ISII) por meio do projeto Omìayê, o sabão ecológico Omì alia ciência, tecnologia social e sustentabilidade para melhorar o saneamento local.
O sabão é produzido a partir do óleo residual coletado em pontos da comunidade, instituições de ensino e projetos parceiros, como a Universidade Federal Fluminense (UFF). Após um rigoroso processo de pré-tratamento que inclui filtragem mecânica e físico-química com carvão ativado, o óleo passa por saponificação e recebe a incorporação de microrganismos não patogênicos, como bactérias do gênero Bacillus, leveduras e lactobacilos. Esses microrganismos são encapsulados para garantir sua viabilidade até o uso.
Quando utilizado em pias, banheiros e áreas comuns, o sabão libera esses microrganismos nas tubulações, acelerando a degradação da matéria orgânica presente no esgoto. Isso contribui para a redução de odores, diminuição da carga poluidora e prevenção de doenças de veiculação hídrica, além de aumentar os níveis de oxigênio na água.
Segundo Gabriel Pizoeiro, Diretor do Instituto Singular Ideias Inovadoras, “O Omìayê sintetiza nossa visão de que a inovação social mais potente é aquela que respeita e fortalece o protagonismo comunitário.” O projeto é realizado por mão de obra 100% feminina local, promovendo a participação comunitária, a educação ambiental e a redistribuição de poder e conhecimento.
Até o momento, mais de 3.200 litros de óleo foram coletados, evitando a poluição de cerca de 81 milhões de litros de água, o equivalente a 32 piscinas olímpicas. Na ecofábrica comunitária da Mangueira, essa matéria-prima já resultou na produção de mais de três toneladas de sabão e centenas de litros de detergentes, capazes de tratar aproximadamente 660 mil litros de esgoto.
Além do sabão, o projeto está testando um lava-roupas ecológico, com 200 litros produzidos e potencial para tratar mais 20 mil litros de esgoto. Bruno Pierri, Coordenador Executivo do Omìayê, destaca que “o que antes seria um passivo, como o óleo de cozinha usado, se transforma em um vetor de biorremediação distribuída, capaz de atuar diretamente nas redes de esgoto onde o poder público muitas vezes não consegue chegar.”
O projeto Omìayê demonstra que soluções de saneamento acessíveis, replicáveis e enraizadas nas realidades locais podem contribuir para enfrentar os desafios do saneamento básico no Brasil, onde mais de 90 milhões de pessoas ainda não têm acesso à coleta de esgoto.
Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa do Instituto Singular Ideias Inovadoras.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



