Perimenopausa: fase que afeta o cérebro anos antes dos sintomas clássicos da menopausa

Entenda como as oscilações hormonais impactam a saúde mental e física na transição para a menopausa

A perimenopausa é a fase que antecede a menopausa e pode durar de dois a até dez anos, período ainda pouco reconhecido pelas mulheres e pelo sistema de saúde. Segundo a médica e pesquisadora Fabiane Berta, especialista em menopausa, essa fase é marcada por grandes oscilações nos níveis de estrogênio e progesterona, causadas pela diminuição gradual da função ovariana. Diferente do que se imagina, não há uma queda linear dos hormônios, mas sim flutuações intensas e imprevisíveis que afetam diversos sistemas do corpo, especialmente o cérebro.

Estudos internacionais indicam que a perimenopausa representa um estado de transição neurológica, com intensidade biológica semelhante à puberdade, porém no sentido inverso. Regiões cerebrais como o hipotálamo e o hipocampo, responsáveis pela regulação da temperatura corporal, do sono, da memória e das emoções, são altamente sensíveis às variações do estrogênio. Essas alterações interferem em neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, explicando sintomas frequentes como irritabilidade, ansiedade, lapsos de memória, dificuldade de concentração e alterações de humor.

Dados epidemiológicos apontam que o risco de depressão pode aumentar de duas a cinco vezes durante a perimenopausa, em comparação a períodos anteriores e posteriores. Além disso, índices de ansiedade, crises de pânico e ideação suicida atingem picos entre mulheres de meia-idade, coincidindo com essa fase de instabilidade hormonal. Apesar disso, esses sintomas são frequentemente atribuídos apenas ao estresse ou questões emocionais, o que dificulta o diagnóstico e o tratamento adequados.

As ondas de calor, ou fogachos, são um dos sinais mais reconhecidos da perimenopausa, afetando cerca de 80% das mulheres. Fabiane Berta explica que esses episódios são fenômenos cerebrais causados pela queda do estrogênio, que compromete o centro de controle térmico do cérebro. Os fogachos provocam sensações súbitas de calor, sudorese, taquicardia e mal-estar, e quando ocorrem à noite, fragmentam o sono, gerando cansaço, piora cognitiva e maior vulnerabilidade emocional. Estudos associam a frequência desses episódios a maior risco cardiovascular, pior desempenho de memória e maior incidência de sintomas depressivos.

A perimenopausa pode começar ainda no final dos 30 anos, com sinais como alterações no sono, fadiga constante, diminuição da libido e dificuldade de concentração. No Brasil, milhões de mulheres convivem com esses sintomas sem diagnóstico claro, pois não existe exame específico para confirmar a perimenopausa. O diagnóstico é clínico, baseado na escuta atenta, histórico menstrual e exclusão de outras condições, como disfunções da tireoide.

Além dos efeitos no cérebro, essa fase está associada a mudanças metabólicas, como aumento da resistência à insulina, acúmulo de gordura abdominal e maior risco cardiovascular. A saúde óssea também começa a ser impactada, com redução da densidade mineral, e alterações na saúde íntima, como ressecamento vaginal e predisposição a infecções urinárias, podem surgir antes da menopausa.

O tratamento da perimenopausa é individualizado, considerando sintomas, histórico e fatores de risco. A terapia hormonal é a opção mais eficaz para muitas mulheres, especialmente quando iniciada precocemente e com acompanhamento médico. Evidências recentes indicam benefícios no alívio dos sintomas e na proteção cardiovascular, óssea e cognitiva. Para aquelas que não podem ou não desejam usar hormônios, é fundamental ampliar opções terapêuticas não hormonais e estratégias integrativas baseadas em evidências.

Fabiane Berta destaca que o principal desafio é a falta de informação. “Quando a mulher entende que essas mudanças têm origem hormonal e neurológica, ela deixa de se culpar e passa a buscar cuidado adequado. Informação é uma ferramenta poderosa de prevenção e saúde.” Reconhecer a perimenopausa como uma fase real e complexa é essencial para melhorar a qualidade de vida de milhões de mulheres, especialmente diante do aumento da longevidade feminina e da maior participação social e profissional.

Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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