Como transformar o pico de verão em crescimento contínuo no setor de beleza e bem-estar

Estratégias para converter a alta sazonalidade em clientes fiéis e garantir estabilidade ao longo do ano

Quem trabalha com beleza e bem-estar sabe: o movimento muda conforme o calendário. Em alguns meses, a agenda enche rápido; em outros, o ritmo cai quase que de um dia para o outro. Essa oscilação cria um desafio constante para empresas que precisam manter o faturamento ao longo do ano.

Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), em 2025 o setor de cuidados pessoais no Brasil registrou crescimento médio anual acima de 7%, impulsionado pela venda de produtos e pela expansão dos serviços ligados à estética e à saúde integral.

Para empresas do segmento, o principal desafio não está em atrair público durante essas fases de aumento de demanda, mas em converter o movimento pontual em vínculo duradouro.

Compreender o ciclo de consumo é essencial para sustentar resultados. Momentos de maior movimento geram visibilidade, mas só se transformam em crescimento real quando existe direcionamento para manter o relacionamento depois.

A seguir, compartilho aprendizados práticos de empreendedorismo aplicáveis a negócios da área de saúde, beleza e bem-estar que buscam mais estabilidade após o período de alta:

1. Use o período de maior procura para validar o modelo e não apenas para faturar
Fases de aumento de demanda são oportunidades valiosas para testar se a operação funciona de forma consistente. Atendimento, processos internos, comunicação e proposta de valor ficam mais evidentes quando o movimento cresce. É nesse cenário que o empreendedor identifica gargalos e entende se a estrutura se sustenta fora da oscilação sazonal. Na prática, aproveite esse momento para ajustar fluxos, capacitar equipes e corrigir falhas antes de pensar em escala.

2. Desenvolva soluções que façam sentido fora da alta sazonal
Muitos protocolos são pensados exclusivamente para o auge do movimento, quando o consumidor está mais motivado e disposto a investir. O problema surge quando esse formato não se mantém nos meses seguintes. Se a entrega só funciona no auge, a empresa fica vulnerável.

3. Transforme a entrada pontual em uma trajetória bem definida
Atrair pessoas interessadas em períodos de maior visibilidade é mais simples; mantê-las exige planejamento. Negócios que convertem sazonalidade em fidelização deixam claro, desde o início, quais são os próximos passos após a primeira contratação. Sem uma trajetória definida, o vínculo se encerra junto ao período de alta. Ofertas organizadas em etapas, tais como: início, evolução e manutenção, ajudam a dar essa visão de caminho.

4. O cuidado após a entrega é a chave
Em estética e saúde integral, a experiência não termina quando o procedimento acaba. É no acompanhamento pós-serviço que a pessoa atendida decide se retorna. Orientações claras, contato posterior e suporte fazem diferença direta na percepção de valor. Quando o público sente que foi lembrado depois, entende que houve cuidado real, não apenas uma venda.

Esse acompanhamento pode assumir diferentes formas: uma mensagem personalizada com orientações, um retorno programado para avaliação dos resultados, pequenos gestos de atenção que demonstrem cuidado contínuo ou até benefícios exclusivos para quem segue no processo. A lógica não é oferecer descontos isolados, mas criar sinais de valorização e reconhecimento.

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Por Edson Ramuth

Médico, fundador e CEO da rede Emagrecentro, referência em emagrecimento saudável e estética corporal; desenvolvedor do Método 4 fases, metodologia patenteada e certificada com aprovação científica

Artigo de opinião

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