BBB 26 e os Desafios da Saúde Mental nos Realities: Entre Entretenimento e Responsabilidade

Como o confinamento e a exposição pública intensificam pressões emocionais e a importância do suporte psicológico para os participantes

O BBB 26 voltou a ocupar o centro das conversas nas redes sociais e na mídia não apenas por estratégias de jogo ou conflitos entre participantes, mas pelos excessos emocionais expostos em rede nacional. Crises de ansiedade, explosões emocionais, isolamento social e comportamentos extremos reacendem um debate necessário: até onde vai o entretenimento e onde começa a responsabilidade com a saúde mental?

Para Núria Santos, especialista em comportamento humano e saúde emocional, o programa funciona como um espelho amplificado das pressões que já existem fora da casa, potencializadas pelo confinamento, vigilância constante e julgamento público. “O BBB não cria fragilidades do nada. Ele potencializa aquilo que já existe em qualquer ser humano quando colocado sob pressão extrema, privação de vínculos reais e exposição contínua”, analisa Núria.

Segundo ela, o ambiente do reality reúne fatores reconhecidos pela psicologia como gatilhos emocionais: isolamento, competição, falta de controle, ausência de privacidade e validação externa constante. Embora o conflito faça parte da dinâmica do programa, Núria alerta para o risco de normalizar sofrimento psíquico como entretenimento. “Existe uma linha muito tênue entre acompanhar o desenvolvimento emocional de alguém e explorar o sofrimento como espetáculo. Quando essa linha é ultrapassada, os impactos podem ser duradouros”, afirma.

A especialista ressalta que os efeitos não terminam com o fim do programa. A saída da casa, a repercussão nas redes sociais e a reconstrução da identidade pública podem ser ainda mais desafiadoras. Nesse contexto, Núria destaca a importância estratégica da presença de profissionais acolhedores na estrutura do BBB, especialmente psicólogos, para garantir não apenas a integridade do jogo, mas a sanidade mental dos participantes.

“Psicólogos não estão ali para impedir conflitos, mas para ajudar os participantes a atravessarem essas experiências com mais consciência, suporte e saúde emocional”, explica. Segundo ela, o acompanhamento psicológico é fundamental em três frentes: durante o confinamento, ajudando na regulação emocional e prevenção de crises mais graves; na mediação de limites, identificando sinais de esgotamento psíquico; e no pós-programa, preparando o participante para o impacto da exposição pública.

“Cuidar da saúde mental não enfraquece o reality. Pelo contrário: torna a experiência mais ética, sustentável e humana”, reforça.

Para Núria Santos, realities como o BBB precisam evoluir junto com o público, que hoje está mais atento às questões emocionais e à responsabilidade social da mídia. “Entre audiência e responsabilidade, não deveria existir escolha. É possível produzir entretenimento de alto impacto sem abrir mão do cuidado com o ser humano”, pontua.

Ela conclui que o BBB 26 traz à tona uma discussão que vai além do programa. “O que vemos na casa é um reflexo do que vivemos fora dela: excesso de cobrança, pouco acolhimento e dificuldade de lidar com emoções. Investir em cuidado psicológico é investir em pessoas, dentro e fora do jogo”, finaliza.

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Por Núria Santos

especialista em comportamento humano e saúde emocional

Artigo de opinião

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