Itália enfrenta déficit crítico na saúde e abre vagas para profissionais brasileiros

Escassez estrutural e envelhecimento populacional impulsionam demanda por técnicos de enfermagem e operadores sociossanitários, criando oportunidades únicas para brasileiros no sistema de saúde italiano

A Itália vive um dos momentos mais críticos do seu sistema de saúde desde a criação do Servizio Sanitario Nazionale (SSN). Reconhecido internacionalmente pela universalidade e qualidade do atendimento, o modelo enfrenta hoje pressões profundas provocadas pelo envelhecimento acelerado da população, pela escassez estrutural de profissionais e pela necessidade de reorganização do sistema de cuidados de longa permanência. Estudos e relatórios europeus indicam que o país enfrenta um déficit estimado entre 62 mil e 99 mil profissionais de enfermagem e assistência, afetando diretamente o funcionamento de hospitais, casas de repouso e estruturas assistenciais.

Esse cenário tem levado o governo italiano e instituições do setor a buscar soluções estruturais por meio da cooperação internacional. Trata-se de uma mudança de paradigma. A Itália entrou definitivamente em uma fase de dependência de profissionais estrangeiros qualificados para manter a sustentabilidade do seu sistema sanitário.

A Itália possui uma das populações mais envelhecidas do mundo, com idade média superior a 48 anos. Projeções indicam que, até 2050, cerca de um terço da população terá mais de 65 anos, elevando de forma permanente a demanda por cuidados contínuos, assistência especializada e instituições de longa permanência. Esse fenômeno não é transitório. Trata-se de uma transformação estrutural que sustenta, no médio e longo prazo, a necessidade de profissionais da saúde, especialmente técnicos de enfermagem e Operadores Sociossanitários.

Entre os profissionais mais demandados estão os Operadores Sociossanitários (OSS) — responsáveis pelo cuidado direto e cotidiano de pacientes, sobretudo idosos e pessoas em situação de dependência — e os técnicos de enfermagem, que atuam em apoio clínico e assistencial. Esses profissionais são essenciais para o funcionamento de casas de repouso, residências assistidas, hospitais e clínicas. Na região do Lácio, que engloba Roma e sua área metropolitana, existem centenas de estruturas dedicadas ao cuidado de idosos, com mensalidades médias entre 1.800 e 3.500 euros, o que demonstra a dimensão e a estabilidade econômica do setor.

Além da alta demanda, as vagas na área da saúde na Itália oferecem vantagens concretas para profissionais brasileiros, que vão além da remuneração mensal. Em termos salariais, profissionais da área de enfermagem e OSS recebem, em média, entre 1.400 e 2.200 euros líquidos por mês, dependendo da função, da região e da carga horária. Na conversão aproximada, isso representa algo entre R$ 7.700 e R$ 12.000 mensais, considerando a cotação atual do euro. Para muitos profissionais brasileiros, esse valor supera significativamente a média salarial da área no Brasil, especialmente quando associado a contratos formais e estabilidade.

Mas o diferencial não é apenas financeiro. Essas oportunidades oferecem algo que muitos profissionais no Brasil buscam há anos: previsibilidade, estabilidade contratual e inserção em um sistema de saúde sólido e organizado. Entre os principais benefícios estão: contrato de trabalho formal em país europeu; estabilidade profissional em um setor estruturalmente deficitário; acesso ao sistema público de saúde italiano; direito à previdência social europeia; possibilidade de residência legal e permanência de longo prazo; valorização curricular e experiência internacional; e porta de entrada para mobilidade dentro da União Europeia.

Para responder à escassez de mão de obra, a Itália tem fortalecido a diplomacia sanitária, promovendo acordos de cooperação internacional, flexibilização de processos e reconhecimento de qualificações estrangeiras. A cooperação internacional na área da saúde é hoje uma estratégia de sobrevivência dos sistemas sanitários europeus. E o Brasil surge como um parceiro natural, pela formação técnica e pela experiência em sistemas públicos de saúde.

Atualmente, existem milhares de vagas abertas na área da saúde em toda a Itália. Dentro desse cenário amplo, 200 oportunidades já se encontram disponíveis para início imediato, destinadas a profissionais qualificados, como técnicos de enfermagem e OSS, resultado de articulações institucionais voltadas a atender, com rapidez, a demanda do sistema sanitário italiano. Essas vagas representam uma chance concreta de internacionalização profissional, aliando segurança jurídica, estabilidade econômica e qualidade de vida em um dos países mais tradicionais da Europa.

Para o profissional brasileiro, aceitar uma oportunidade como essa significa mais do que mudar de emprego. Significa acessar um novo patamar de estabilidade, integrar um sistema estruturado e construir uma trajetória profissional com reconhecimento internacional. Nesse contexto, a crise do sistema sanitário italiano se transforma em uma oportunidade estratégica tanto para o país quanto para os profissionais que passam a fazer parte dessa resposta global aos desafios da saúde contemporânea.

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Por Dra. Talita Dal Lago Fermanian

PhD em Direito Internacional, presidente da Câmara de Comércio Ítalo-Brasileira do Nordeste

Artigo de opinião

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