Fevereiro Laranja destaca desigualdades no diagnóstico e tratamento da leucemia no Brasil

Mês de conscientização revela desafios regionais, sociais e tecnológicos no combate à leucemia no país

Fevereiro é o mês dedicado à conscientização sobre a leucemia, um grupo de cânceres do sangue que, apesar dos avanços científicos, ainda revela profundas desigualdades no sistema de saúde brasileiro. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 11.540 novos casos de leucemia por ano no triênio 2023–2025, dentro de um cenário mais amplo de aproximadamente 704 mil novos casos de câncer anuais no país.

No entanto, esses números não refletem toda a realidade. Em regiões com menor infraestrutura, como o Norte e parte do Nordeste, há forte indício de subdiagnóstico, o que mascara a real dimensão da doença. “Na prática clínica, ainda vemos muitos pacientes que chegam aos serviços especializados com a doença avançada. Nesses estágios, perdeu-se uma importante janela temporal, na qual as intervenções são menos agressivas e as chances de sucesso são maiores”, afirma Dr. Abel Costa, médico hematologista da Hemodoctor. “Leucemia é uma doença em que os dias e, às vezes, até as horas, fazem diferença”, complementa.

A incidência média estimada no Brasil é de 5,67 casos por 100 mil homens e 4,50 por 100 mil mulheres, mas essa taxa varia significativamente entre as regiões. O Sudeste concentra cerca de 5.610 novos casos anuais, seguido pelo Sul, com 2.180 casos. Já o Norte registra apenas 650 casos por ano, número considerado artificialmente baixo devido à menor oferta de hematologistas e exames especializados, como imunofenotipagem e citogenética.

Lucyo Diniz, hematologista da Hemodoctor, destaca que o problema começa na atenção primária: “Muitas vezes, o hemograma traz claros sinais de alerta que passam despercebidos ou não são valorizados a tempo. Isso retarda o encaminhamento para o hematologista e impacta diretamente a sobrevida.” Essa desigualdade regional contribui para que 23% dos óbitos por leucemia no Brasil ainda sejam classificados como ‘leucemias não especificadas’, reflexo direto da limitação diagnóstica.

Os subtipos de leucemia apresentam realidades distintas. A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é a mais agressiva e responde por 36% das mortes por leucemia no país, com crescimento médio de 0,8% ao ano na mortalidade, especialmente em pessoas acima de 50 anos. Já a Leucemia Linfocítica Aguda (LLA), mais comum em crianças, pode alcançar taxas de cura superiores a 80% quando diagnosticada precocemente. No Brasil, porém, a sobrevida em cinco anos gira em torno de 68%, abaixo dos padrões de países de alta renda. “O que diferencia esses cenários não é falta de conhecimento médico, mas acesso. Quando o diagnóstico é feito cedo e o tratamento começa rápido, os resultados mudam radicalmente”, reforça Lucyo Diniz.

A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) apresenta queda anual de 3,2% na mortalidade, graças às terapias-alvo. Contudo, episódios recentes de desabastecimento desses medicamentos no SUS acenderam um alerta.

No Brasil, 58% dos pacientes oncológicos iniciam tratamento em estágio avançado, percentual que segue elevado. Sintomas iniciais inespecíficos, como fadiga, infecções recorrentes e sangramentos, somados à demora para exames básicos, dificultam a identificação precoce. “O hemograma é um exame simples, barato e amplamente disponível. O desafio é transformar dados laboratoriais em decisões clínicas mais rápidas e assertivas”, afirma Raphael Saraiva, CEO da Hemodoctor.

Para enfrentar essas desigualdades, é necessária a reorganização dos fluxos e ampliação da capacidade diagnóstica do sistema. “A leucemia escancara um problema estrutural da saúde brasileira: a distância entre o exame e a decisão clínica. Quando conseguimos apoiar o médico na leitura precoce desses sinais, reduzimos atrasos, evitamos complicações e salvamos vidas”, explica Saraiva. Ele ressalta que o debate do Fevereiro Laranja deve ir além da conscientização, buscando garantir que os avanços da medicina cheguem à atenção primária, independentemente da região.

Além das desigualdades regionais, as disparidades raciais e socioeconômicas agravam o cenário. Populações negras e indígenas tendem a receber diagnóstico mais tardio, enquanto a concentração de centros especializados no Sul e Sudeste impõe barreiras para pacientes de outras regiões. “Quando olhamos os dados, fica claro que leucemia no Brasil não é apenas um desafio médico, é um desafio de equidade”, conclui Raphael Saraiva. “Diagnóstico precoce é política pública, é gestão e é cuidado.”

No Fevereiro Laranja, o alerta é claro: ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno é uma das formas mais eficazes de reduzir mortes evitáveis por leucemia no país.

Este conteúdo foi elaborado com base em dados fornecidos pela assessoria de imprensa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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