Nova abordagem na contracepção para adolescentes: implantes subdérmicos ganham destaque
Métodos reversíveis de longa duração são recomendados para reduzir gravidez na adolescência no Brasil
No Brasil, a gravidez na adolescência continua sendo um desafio significativo para a saúde pública. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam que um a cada sete bebês nasce de mãe adolescente, com 1.043 adolescentes tornando-se mães diariamente, o que equivale a 44 bebês por hora. Frente a esse cenário, a medicina tem adotado uma nova abordagem, recomendando os métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARCs) como primeira linha para adolescentes.
Essa mudança reflete avanços científicos e revisões nas diretrizes clínicas nacionais e internacionais. Entre os métodos que ganharam destaque estão o implante subdérmico de etonogestrel e os dispositivos intrauterinos, que oferecem alta eficácia, segurança e independência do uso correto — aspectos fundamentais para a faixa etária adolescente.
Segundo o Dr. Edson Ferreira, da Divisão de Ginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, “Houve uma mudança de paradigma. Hoje, sociedades científicas nacionais e internacionais reforçam que idade ou nuliparidade não são contraindicações ao uso de LARCs, que são os métodos com maior efetividade contraceptiva”. Um ponto crucial dessa nova orientação é que o implante hormonal é atualmente o único LARC com aprovação em bula para adolescentes, o que traz respaldo regulatório importante para a prática clínica. “A aprovação em bula traz segurança jurídica e regulatória para médicos, famílias e serviços de saúde, além de facilitar a incorporação do método em protocolos institucionais e políticas públicas”, explica o especialista.
Apesar dos avanços, ainda há resistência ao uso dos LARCs entre adolescentes, motivada por mitos sobre infertilidade futura, receios de efeitos colaterais e a falsa ideia de que a contracepção estimularia a atividade sexual. “Essas barreiras vêm diminuindo à medida que mais informação baseada em evidências circula e que os profissionais de saúde se sentem mais capacitados. A ciência mostra que oferecer contracepção protege a saúde reprodutiva e não incentiva comportamentos”, destaca Dr. Ferreira.
Do ponto de vista médico, os LARCs apresentam vantagens claras em relação aos métodos de curta duração, especialmente para adolescentes. “O principal diferencial é a eficácia independente do uso correto. Métodos que dependem de adesão diária, semanal ou mensal têm taxas de falha muito maiores. Já os LARCs são altamente eficazes, reversíveis e permitem que a adolescente foque em outras dimensões da vida, sem a preocupação constante com uma gravidez não planejada”, afirma o médico.
Além dos benefícios para a saúde reprodutiva, a ampliação do acesso ao implante hormonal pode contribuir para a redução da evasão escolar e da vulnerabilidade social. “A gravidez não planejada na adolescência é um fator importante de evasão escolar e de perpetuação da vulnerabilidade social. Ao garantir autonomia sobre a vida reprodutiva, aumentamos as chances de continuidade dos estudos, melhor inserção no mercado de trabalho e ascensão social no futuro”, ressalta Dr. Ferreira.
Por fim, o especialista reforça que o aconselhamento deve ser sempre individualizado, acolhedor e livre de julgamentos. “O LARC não é para todas as pessoas, mas precisa ser uma opção real e acessível. Garantir informação clara e acesso equitativo aos métodos é um compromisso com a saúde e os direitos das adolescentes”, conclui.
Este conteúdo foi elaborado com base em informações fornecidas pela assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



