Notificação obrigatória da esporotricose fortalece controle e prevenção, aponta especialista
Nova exigência do Ministério da Saúde visa mapear focos da doença e ampliar ações de vigilância em saúde
A notificação obrigatória dos casos de esporotricose humana, determinada pelo Ministério da Saúde em janeiro de 2026, representa um avanço importante no controle e mapeamento dos focos da doença no Brasil. Segundo dados da assessoria de imprensa, a medida exige que agentes sanitários registrem semanalmente os casos confirmados, permitindo às autoridades de saúde identificar áreas críticas e adotar ações coordenadas para evitar o avanço da doença.
A esporotricose é causada por um fungo do gênero Sporothrix spp, que acomete principalmente gatos, tanto domiciliados quanto de rua, e pode ser transmitida para outros animais e humanos. O professor titular de medicina veterinária da UNIP, Carlos Brunner, ressalta que a doença está fora de controle no país e exige esforços integrados da vigilância sanitária. Ele explica que “o fungo já se tropicalizou e gerou uma espécie 100% nacional, a Sporothrix brasiliensis, que é muito mais transmissível e já está se espalhando para fora do Brasil”. Os gatos são as principais vítimas e transmissores, desenvolvendo lesões cutâneas que podem evoluir para úlceras difíceis de cicatrizar.
De acordo com nota do Ministério da Saúde, “nos últimos anos, tem sido observado aumento expressivo de casos relacionados à transmissão zoonótica, o que reforça a necessidade de integração entre vigilância em saúde, atenção primária e serviços veterinários”. A coordenadora-geral de Vigilância de Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas, Fernanda Dockhorn, destaca que a notificação obrigatória permitirá “construir um panorama epidemiológico mais consistente e fortalecer a tomada de decisão em todos os níveis de gestão”.
A transmissão para humanos ocorre principalmente por arranhões de gatos infectados, com lesões que começam como nódulos avermelhados e podem evoluir para feridas ulceradas. Em pessoas imunossuprimidas, a infecção pode se espalhar para órgãos internos, tornando-se potencialmente fatal.
No campo do tratamento, uma nova técnica de eletroporação, desenvolvida pelo pesquisador Carlos Brunner e pela Akko Health Devices, está trazendo esperança para casos de esporotricose felina. O equipamento, chamado SPORO PULSE, utiliza pulsos elétricos para matar o fungo, preservando o tecido saudável do animal e reduzindo o tempo de tratamento. Segundo Brunner, “as células da pele do gato permanecem vivas, porque os poros se formam e se fecham. Já a estrutura celular dos fungos é diferente, então os poros se formam e não se fecham mais, matando o fungo”.
A inclusão da esporotricose humana na Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças fortalece o planejamento das ações de vigilância, prevenção e assistência, com impacto direto na proteção da população.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



