Do “rooftop” à terra: por que bairros planejados ganham força em Santa Catarina
A busca por conveniência, segurança e áreas verdes tem levado compradores a preferir loteamentos horizontais, refletindo crescimento de vendas e aportes em infraestrutura.
Janeiro, 2026. Para o especialista em mercado imobiliário Ricardo Laus, diretor da Novo Ambiente Urbanismo, o setor de loteamentos vive uma inversão de valores nítida em Santa Catarina: a busca pela vista e pelo “rooftop” exclusivo está cedendo espaço para a valorização da terra e do bairro planejado. Segundo Laus, o fato é resultado do efeito de transbordamento de polos verticais. À medida que o metro quadrado na orla de Balneário Camboriú, por exemplo, que atinge picos de preço e densidade, a demanda migra para municípios vizinhos em busca de metragem, contato com a natureza e serviços a pé.
“É visível a expansão de Santa Catarina no setor de urbanismo planejado. O comportamento do consumidor mudou: ele não quer mais apenas o apartamento fechado, ele quer o quintal, mas com a conveniência da cidade grande. Estamos vendo uma troca literal do ‘rooftop’ pela terra. O transbordamento de destinos saturados está injetando capital em bairros horizontais que oferecem o que a torre não consegue: espaço real de convivência, integração com o verde e acesso fácil a compras e serviços”, afirma Laus.
De fato, o mercado de loteamentos no Brasil encerrou 2025 com um Valor Geral de Vendas (VGV) acumulado acima de 20%, segundo a Pesquisa AELO-Secovi/SP, elaborada pela Brain Inteligência Estratégica.
Os dados destacam a infraestrutura. Nos últimos cinco anos, foram investidos cerca de R$ 23 bilhões em obras de saneamento, energia e pavimentação.
“O comprador percebeu que o bairro planejado é um ativo de valorização constante. A terra bem localizada e urbanizada em regiões de transbordamento tem margem de crescimento elástica”, pontua Laus.
O conceito que guia essa migração é a funcionalidade. Pesquisas da DataZAP indicam que a proximidade de comércio e serviços é fator decisivo para 52% dos compradores.
Somado a isso, o modelo de trabalho híbrido, realidade para 78% dos profissionais segundo o instituto de pesquisas Gallup, tornou a qualidade do entorno da residência uma prioridade. Em Santa Catarina, a região de Tijucas, posicionada estrategicamente entre Florianópolis, Itapema e Balneário Camboriú, atrai empreendimentos como o Rio Parque, da Novo Ambiente, que será lançado nos próximos meses e foi desenhado para atender essa demanda de quem trabalha em casa, mas exige infraestrutura de lazer e serviços na porta, além de atrair o investidor pelo alto potencial de valorização.
Ao todo, o “bairro-parque” terá mais de 460 mil m², dividido em duas etapas. Com estrutura de alto padrão focada em urbanismo sustentável, terá moradias, comércio, serviços e lazer integrados. Destaque para um parque linear com decks, pontes e áreas de convivência aproveitando a mata ciliar dos rios Tijucas e Oliveira.
“O consumidor de hoje quer a segurança do planejamento urbano, mas com a liberdade de caminhar na rua e a facilidade de ter o comércio ao lado. É o resgate da vida de bairro, mas com a engenharia de uma cidade inteligente”, finaliza Ricardo Laus.
Por Ricardo Laus
Diretor da Novo Ambiente Urbanismo; mais de 20 anos de experiência no setor; participação em projetos que somam mais de 4 mil lotes
Artigo de opinião



