UBSs de SP usam maus-tratos a animais para prevenir violência interpessoal em 2026
Projeto Magrão treina equipe da Atenção Primária a reconhecer sinais que conectam crueldade animal e risco social
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A morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, encontrada com ferimentos graves e submetida à eutanásia em 5 de janeiro de 2026, reacendeu o debate sobre a relação entre maus-tratos a animais e outras formas de violência. Em São Paulo, essa conexão vem sendo abordada na prática pela Atenção Primária por meio do Projeto Magrão, desenvolvido pelo CEJAM — Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”.
Baseado na chamada “Teoria do Elo”, o Projeto Magrão parte do princípio de que maus-tratos a animais podem sinalizar situações de violência interpessoal — físicas, psicológicas, patrimoniais ou negligência — especialmente em contextos de convivência próxima. A iniciativa começou em 2024 em duas unidades da zona sul: UBS Alto da Riviera (Jardim Ângela) e UBS Jardim Germânia (Campo Limpo). Em agosto de 2025 o projeto foi ampliado para as 30 Unidades Básicas de Saúde sob gestão do CEJAM na região, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP).
A identificação inicial de suspeitas ocorre por meio dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), que mantêm contato direto com famílias e vizinhanças. Quando há indício de maus-tratos, o Agente de Proteção Ambiental (APA) da unidade é acionado e o caso é discutido de forma integrada, envolvendo ACS, APA, Núcleos de Prevenção de Violência (NPV) e, quando necessário, equipes de assistência social, para garantir acolhimento e encaminhamentos adequados.
Em dezembro de 2025 o CEJAM incorporou ao seu sistema de monitoramento, o VIGIMASTER, um campo específico para registrar notificações classificadas segundo a “Teoria do Elo”, permitindo acompanhamento contínuo dos casos. A ferramenta fortalece a vigilância e possibilita ações planejadas de proteção tanto às pessoas quanto aos animais em situação de risco.
Sobre o impacto prático da iniciativa, Lúcia Gatti, gerente de Serviços de Saúde da Atenção Primária do CEJAM, afirma: “O Projeto Magrão já despertou em todos os envolvidos, como lideranças, colaboradores e conselheiros gestores, um olhar extremamente atento aos possíveis sinais de violência interpessoal. Mesmo diante dos desafios, a iniciativa permite uma ação planejada para a abordagem das violências em suas mais diversas formas”.
A experiência em São Paulo reforça o papel estratégico da Atenção Primária na identificação precoce de situações de violência e na articulação de respostas intersetoriais. O CEJAM, entidade filantrópica fundada em 1991 e presente em diversos municípios, afirma seu compromisso com o cuidado integral em saúde ao integrar a proteção animal à prevenção da violência. A organização fez parte de iniciativas institucionais em 2025, incluindo a certificação Great Place to Work, e lançou a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta.
Feito com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



