Saúde mental e trabalho em 2026: por que aumentam os afastamentos

Aumento de afastamentos por transtornos mentais expõe sobrecarga cognitiva, falhas de comunicação e pressão por eficiência

O:
Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de 2025 apontam que transtornos mentais correspondem a um aumento de 143% nos afastamentos do trabalho, informação que revela impacto direto das condições laborais na saúde. Em escala global, a Organização Mundial da Saúde estima que mais de 1 bilhão de pessoas vivam com algum transtorno mental, com ansiedade e depressão entre as condições mais prevalentes. Texto feito com dados da assessoria de imprensa.

O cenário descreve desafios que ultrapassam o individual e se enraízam nas rotinas organizacionais. A especialista em aprendizagem e inovação Clara Cecchini propõe ampliar o debate para a chamada saúde cognitiva, destacando efeitos menos nomeados do excesso sobre a mente. “Não se trata apenas de exaustão emocional. Observa-se sobrecarga mental persistente, decisões tomadas de forma automática e experiências de aprendizagem que não se transformam em compreensão”, comenta. Para ela, cuidar da saúde mental passa também por qualificar como se pensa, aprende e decide. “O Janeiro Branco pode, portanto, ser também um convite à consciência sobre como a mente é utilizada. Não se trata de silenciar o cérebro, mas de acioná-lo com mais intenção, um cuidado discreto, porém estruturante, para atravessar tempos de excesso sem perder o essencial”, explica.

A pressão por eficiência dentro das empresas é outro vetor relevante. Patricia Ansarah, CEO do Instituto Internacional de Segurança Psicológica (IISP), relaciona os ganhos tecnológicos à sobrecarga humana: “A eficiência nunca esteve tão alta dentro das empresas. A automação reduziu erros, acelerou processos e ampliou a capacidade produtiva. Mas, paradoxalmente, os indicadores humanos caminham na direção oposta, com times mais cansados, concentração fragmentada, aumento do estresse e queda da energia subjetiva necessária para pensar, criar e decidir”, comenta. Ela reforça que a exaustão mental exige tratamento como risco organizacional. “A exaustão mental não é apenas um problema de saúde, é um risco organizacional”, afirma.

A comunicação nas empresas também aparece como causa recorrente de desgaste emocional. Vivian Rio Stella, pós-doutora em Linguística e idealizadora da VRS Academy, aponta que a forma como se fala — ou o silêncio — pode gerar tensão contínua: “Palavras mal escolhidas, omitidas ou ambíguas podem gerar desgaste emocional contínuo”, observa. Na visão dela, transformar a comunicação em elemento de cuidado passa por práticas objetivas e previsíveis: “Priorizar mensagens objetivas, com critérios, prazo e expectativas claros, mesmo em temas sensíveis; tornar as conversas frequentes, previsíveis e abertas à escuta, reduzindo o peso emocional; comunicar decisões, mudanças e prioridades de forma consistente”, conclui.

Para organizações e profissionais, o conjunto de sinais — aumento de afastamentos, sobrecarga cognitiva, pressão por eficiência e falhas comunicativas — indica necessidade de intervenções integradas, que articulem formação para o pensar, políticas de segurança psicológica e rotinas de comunicação claras. O acompanhamento institucional e a qualificação de processos podem reduzir riscos e preservar capacidade produtiva sem aumentar a carga mental.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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