Pirâmide invertida dos EUA e a relevância contínua do Guia Alimentar Brasileiro

Atualização das diretrizes americanas reacende debate sobre representação gráfica e reforça o enfoque brasileiro em alimentos in natura e redução de ultraprocessados

O:
Nova pirâmide alimentar dos EUA reacende debates e reforça o valor do Guia Alimentar Brasileiro

Ana Paula Garcia Fernandes dos Santos*

Em janeiro de 2026, os Estados Unidos divulgaram a atualização quinquenal de suas diretrizes alimentares, chamada Dietary Guidelines for Americans 2025 – 2030. Uma das mudanças mais chamativas foi a inclusão de uma representação gráfica em forma de pirâmide invertida, que coloca, em destaque visual, grupos como proteínas, laticínios, vegetais e frutas, relegando os grãos integrais à base menor da pirâmide, o que tem sido traduzido em manchetes com o lema “mais carne, menos arroz”.

As novas orientações norte-americanas continuam a recomendar o consumo de frutas, vegetais, grãos integrais e limitar açúcares adicionados e alimentos ultraprocessados, mantendo limites de gordura saturada e recomendando uma dieta baseada em alimentos minimamente processados, mas destacam um aumento nas metas proteicas e um chamado para priorizar alimentos de “alta qualidade nutricional” em cada refeição.

Essa abordagem gerou diversas reações no meio científico. Alguns especialistas apreciam o maior destaque para alimentos minimamente processados e a ênfase em proteínas com qualidade nutricional, algo que pode captar a atenção do público e reforçar escolhas alimentares mais conscientes.

Ao mesmo tempo, outros profissionais apontam que a nova representação visual pode levar a interpretações simplificadas ou confusas, por exemplo, ao transmitir a impressão de que grãos como arroz devem ser evitados, quando o texto das diretrizes ainda recomenda seu consumo em forma integral, como parte de uma dieta equilibrada.

Esse debate não é exclusivo ao contexto americano. Mundialmente, diferentes países adotam e adaptam diretrizes alimentares de acordo com suas realidades epidemiológicas, culturais e alimentares locais. É nesse cenário que o Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde em 2014 e amplamente utilizado por profissionais de nutrição no Brasil, continua a ganhar destaque como uma referência conceitual importante em alimentação saudável.

O Guia Brasileiro se diferencia justamente por estruturar suas recomendações a partir de princípios alimentares amplos, como a valorização de alimentos in natura ou minimamente processados, a redução de ultraprocessados e a consideração da cultura alimentar e práticas alimentares no dia a dia. Esse enfoque, fundamentado em evidências e em contextos socioculturais, tem servido como um modelo de referência para políticas públicas de alimentação e nutrição no país e internacionalmente.

A divulgação das diretrizes americanas, portanto, reacende uma conversa global sobre como comunicar orientações nutricionais de forma clara, contextualizada e aplicável à população, lembrando que modelos como o brasileiro, além de oferecem fundamentos técnicos consolidados, estão alinhados com estratégias de promoção da alimentação saudável que consideram o cotidiano alimentar de cada país.

*Ana Paula Garcia Fernandes dos Santos é nutricionista, mestre em Alimentação e Nutrição. Professora da Escola Superior de Saúde da UNINTER.

A

Por Ana Paula Garcia Fernandes dos Santos

nutricionista; mestre em Alimentação e Nutrição; professora da Escola Superior de Saúde da UNINTER

Artigo de opinião

👁️ 88 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar