O turismo que vira caminho: o Caminho do Bom Jesus da Mata Atlântica
Projeto no Paraná propõe transformar viagens em experiências de conexão entre natureza, cultura e comunidades, com lançamento previsto para o 1º semestre de 2026.
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O turismo vive um de seus melhores momentos no Brasil, e o Paraná tem se destacado de forma consistente nesse cenário. Entre janeiro e novembro de 2025, o estado registrou crescimento de 5,5% no volume de atividades turísticas, superando a média nacional e estados historicamente fortes no setor. No mesmo período, mais de 1,06 milhão de turistas internacionais desembarcaram em território paranaense — um recorde que vai além da estatística e sinaliza uma transformação mais profunda na forma de viajar.
Mais do que números positivos, esse movimento revela uma mudança no perfil do turista. Cresce a busca por experiências que tenham significado, que conectem natureza, cultura, espiritualidade e pertencimento. Viajar deixa de ser apenas deslocamento ou consumo de paisagens e passa a ser uma forma de vivenciar territórios, histórias e identidades. É nesse contexto que o turismo se apresenta como uma poderosa ferramenta de desenvolvimento humano e territorial.
Iniciativas como o Caminho do Bom Jesus da Mata Atlântica materializam essa mudança. Desenvolvido pelo Instituto Destino Brasil, o projeto nasce no litoral e na Serra do Mar paranaense com a proposta de ir além do conceito tradicional de peregrinação. O caminho convida a uma experiência plural, acessível a diferentes públicos, ritmos e formas de deslocamento, reconhecendo que cada pessoa se relaciona com o território à sua maneira.
A rota parte da Paróquia São Sebastião, em Quatro Barras, e segue até a histórica Capela Bom Jesus do Cardoso, em Morretes, atravessando áreas preservadas da Mata Atlântica. São dois trajetos possíveis — de aproximadamente 70 e 230 quilômetros — que podem ser percorridos a pé, de bicicleta ou com veículos motorizados. Essa flexibilidade amplia o acesso, diversifica o perfil de visitantes e reforça a ideia de que o caminho é, antes de tudo, uma experiência de conexão.
No percurso mais longo, há um elemento que torna a jornada ainda mais singular: o trecho entre Guaraqueçaba e Paranaguá é realizado pela baía que abriga a maior área contínua de Mata Atlântica preservada do mundo. Nesse segmento, o deslocamento pelas águas deixa de ser apenas um meio e passa a fazer parte do sentido do percurso, integrando espiritualidade, contemplação e consciência ambiental.
O Caminho do Bom Jesus da Mata Atlântica surge da compreensão de que o turismo precisa ir além da visitação pontual. Ele propõe presença, tempo e escuta. Valoriza o percurso tanto quanto o destino e reconhece que o verdadeiro impacto do turismo está na capacidade de gerar vínculos duradouros entre quem visita e quem vive no território.
Com demarcação em andamento e mapa oficial já disponível, o projeto dialoga diretamente com as principais tendências do turismo contemporâneo: experiências autênticas, valorização do patrimônio histórico, preservação ambiental e fortalecimento das comunidades locais. Nesse modelo, o turismo deixa de ser apenas consumo e passa a gerar impacto positivo real, movimentando economias locais, estimulando o cuidado com o meio ambiente e preservando aquilo que torna cada lugar único.
Com lançamento oficial previsto para o primeiro semestre de 2026, o Caminho do Bom Jesus da Mata Atlântica aponta para uma nova fronteira do turismo no Paraná — uma fronteira em que crescimento econômico, sustentabilidade e sentido humano caminham juntos. Quando o turismo vira caminho, ele deixa de ser apenas passagem e se transforma em experiência, aprendizado e pertencimento.
Por Ademar Batista Pereira
Presidente do Instituto Destino Brasil
Artigo de opinião



