Somália 2026: crise de saúde e desnutrição se agrava, alerta MSF

Secas sucessivas, cortes na ajuda e alta do preço da água deixam milhões em risco de doenças e fome

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A Somália enfrenta um agravamento significativo das crises de saúde e nutrição após temporadas de chuva bem abaixo do esperado, com impacto direto sobre populações deslocadas e comunidades anfitriãs. Texto baseado em dados da assessoria de imprensa.

Quatro estações de chuva consecutivas com baixa pluviosidade e o aumento exorbitante dos preços da água ampliaram a insegurança alimentar e a exposição a doenças evitáveis. Em novembro de 2025 o Governo Federal declarou estado de emergência por seca. Relatórios da ONU citados por equipes de MSF indicam que 4,4 milhões de pessoas poderão atingir nível de crise ou superior em insegurança alimentar até o fim de 2025, e cerca de 1,85 milhão de crianças menores de cinco anos estão em risco de desnutrição aguda.

Os deslocamentos internos já afetam mais de 3,3 milhões de pessoas, muitas vivendo em acampamentos superlotados em torno de Baidoa e Mudug. O financiamento humanitário entrou em colapso: desde o início de 2025, mais de 200 unidades de saúde e nutrição fecharam, e a assistência alimentar mensal caiu de 1,1 milhão para apenas 350 mil beneficiários.

As equipes de MSF em Baidoa relataram aumento de 48% nas internações por desnutrição aguda grave em outubro de 2025, com 189 crianças tratadas por suspeita de sarampo — 95% sem vacinação prévia. Na região de Mudug, as internações por desnutrição aguda grave aumentaram 35% no mesmo período. Em toda a região, mais de 182 unidades de saúde fecharam ou funcionam parcialmente, e estima-se que 300 mil crianças estejam sofrendo de desnutrição aguda.

O custo da água contribui para a crise: um barril de 200 litros custa entre US$ 2,50 e US$ 4,00 em Baidoa e Mudug, tornando o acesso proibitivo para famílias deslocadas. “Estamos vendo crianças chegando aos nossos hospitais em estado crítico, muitas vezes depois de viajarem por dias sem comida ou água”, disse Allara Ali, coordenadora de projetos de MSF na Somália. “A seca não só secou os poços, mas também esgotou os sistemas de apoio dos quais as famílias dependem. Nossas equipes estão trabalhando ininterruptamente para tratar a desnutrição grave e os surtos de sarampo e difteria, mas o grande volume de pacientes está levando nossa capacidade ao limite. As pessoas estão exaustas e, sem acesso imediato à água e aos cuidados de saúde, mais vidas serão perdidas por causas evitáveis.”

Relatos de moradores ilustram a gravidade: “A maioria dos homens está desempregada e as mulheres estão grávidas ou cuidando de crianças”, descreveu Kaltuma Kerow, uma mãe de 35 anos. “Não temos dinheiro para comprar água. Estamos com extrema falta de comida e água, e tememos doenças como a cólera. A fome e a falta de água potável estão piorando tudo.” Em Galkayo, Rahma Bashiir afirmou: “Todas as minhas cabras e ovelhas morreram. Não temos dinheiro para comprar água potável, pois um barril custa US$ 4, e nossas crianças adoecem por beberem água salgada. Os remédios da farmácia não adiantam quando se está com fome.”

MSF intensificou respostas de emergência: em dezembro de 2025 iniciou distribuição de água por caminhão em Baidoa e, em meados de janeiro, já havia distribuído mais de 6 milhões de litros de água potável em 17 acampamentos, além de instalar reservatórios e iluminação solar para segurança. Ainda assim, a organização afirma que as necessidades superam a capacidade atual e pede financiamento urgente e ações multissetoriais. “Essa situação é inaceitável porque é previsível e, em grande parte, evitável”, disse Elshafie Mohamed, representante de MSF na Somália. MSF solicita ampliação de programas de nutrição, campanhas de vacinação e serviços de água, além de investimentos em infraestrutura hídrica resiliente para reduzir mortalidade evitável.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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