Tecnologia brasileira pode salvar jumentos da extinção e revolucionar o mercado de colágeno
Pesquisa da UFPR desenvolve colágeno de jumento por fermentação, evitando abate e protegendo a espécie
Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão na vanguarda de uma inovação que pode transformar o mercado de colágeno e, ao mesmo tempo, salvar os jumentos da extinção. Com dados da assessoria de imprensa, o Laboratório de Zootecnia Celular da UFPR desenvolve uma técnica inédita de produção de colágeno de jumento por fermentação de precisão, que dispensa o abate dos animais, ameaçados pela queda de 94% da população no Brasil nas últimas três décadas.
O colágeno extraído da pele dos jumentos é um ingrediente essencial para a fabricação do ejiao, uma gelatina tradicional da medicina chinesa, muito valorizada nas indústrias de beleza, saúde e nutrição funcional. Atualmente, esse mercado movimenta cerca de US$ 700 milhões ao ano apenas na China, com projeção de crescimento para US$ 3,8 bilhões até 2032. A técnica desenvolvida pela UFPR utiliza micro-organismos geneticamente modificados para produzir o colágeno em laboratório, eliminando a necessidade de abater os animais.
Segundo a coordenadora do projeto, Carla Molento, PhD pela Universidade McGill, “já avançamos nas etapas mais complexas do ponto de vista científico, que são justamente as de bancada, onde está a inovação. Agora estamos prontos para inserir o DNA do colágeno em uma levedura, que funcionará como uma biofábrica, em um processo semelhante ao da produção de cerveja”. A próxima fase do projeto envolve o escalonamento da produção em biorreatores maiores, para o que os pesquisadores buscam um investimento de US$ 2 milhões.
Esse avanço não só representa uma alternativa ética e sustentável ao modelo atual, que depende do abate extrativista dos jumentos, mas também promete maior eficiência produtiva. “Em um galpão, com alguns biorreatores, é possível produzir uma quantidade muito maior de proteína, com menos insumos e sem o abate”, explica a pesquisadora. Além disso, o colágeno produzido em laboratório é altamente purificado, facilitando sua comercialização para empresas que já atuam no mercado final, especialmente na China.
O projeto conta com financiamento do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, da Fundação Araucária, do Governo do Paraná e parceria internacional com a Universidade de Wageningen, referência mundial em biotecnologia. A meta é comprovar a viabilidade técnica da produção até o final de 2026, com a produção de miligramas de colágeno por fermentação de precisão.
Essa inovação abre caminho para o desenvolvimento de outras proteínas animais em laboratório, com impacto ambiental reduzido e sem sofrimento animal, além de contribuir para a preservação dos jumentos, cuja população no Brasil está em declínio alarmante. A pesquisa da UFPR é um exemplo de como ciência e tecnologia podem se unir para promover beleza, saúde e sustentabilidade, alinhando-se às demandas do público feminino que valoriza produtos éticos e inovadores.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



