Queda nos homicídios contrasta com recorde alarmante de feminicídios no Brasil em 2025

Apesar da redução geral nas mortes violentas, o aumento dos feminicídios revela falhas estruturais na segurança pública e no sistema judicial brasileiro

O Brasil registrou, em 2025, uma queda no número total de mortes violentas pelo quinto ano consecutivo, com 34.086 casos notificados, representando uma redução de 11% em relação a 2024. Essa tendência positiva pode ser atribuída a políticas públicas eficazes e à diminuição dos conflitos entre facções do crime organizado. No entanto, essa melhora geral esconde uma realidade preocupante: o feminicídio atingiu seu recorde histórico desde a tipificação do crime em 2015, com 1.470 casos registrados, o que equivale a uma média alarmante de quatro mulheres assassinadas por dia.

Essa disparidade evidencia uma grave crise na proteção das mulheres no país. A aprovação recente da lei que aumenta as penas para feminicídios, com punições que variam entre 20 e 40 anos de prisão, ainda não surtiu o efeito esperado na redução desses crimes. A persistência do feminicídio em níveis tão elevados aponta para falhas estruturais profundas.

Como delegado e especialista em segurança pública, com experiência nas delegacias de defesa da mulher, não posso ignorar a gravidade dessa situação. A combinação da morosidade do Poder Judiciário e do Ministério Público, o sucateamento das forças de segurança e a incapacidade do Estado de prover os recursos materiais e humanos necessários para as polícias contribuem diretamente para esse cenário trágico.

Enquanto o país comemora a queda nos homicídios em geral, é fundamental que o foco e os esforços sejam redobrados no combate ao feminicídio. Sem uma resposta eficaz e integrada das instituições responsáveis, o número de mulheres vítimas de violência letal continuará crescendo, perpetuando uma crise humanitária que exige atenção urgente e ações concretas.

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Por André Santos Pereira

Delegado de Polícia do Estado de São Paulo, especialista em Inteligência Policial e Segurança Pública (Escola Superior de Direito Policial/FCA), presidente da ADPESP – Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo

Artigo de opinião

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