Educação nas Férias: Como Manter o Aprendizado Ativo de Forma Divertida
Brincadeiras, leitura e experiências cotidianas são essenciais para estimular o desenvolvimento infantil mesmo durante o período sem aulas
Para muitas crianças, as férias escolares de verão são o período mais aguardado do ano. É o momento de deixar as mochilas de lado, esquecer os despertadores e aproveitar o tempo livre. No entanto, para pais e educadores, surge o desafio de garantir o descanso necessário sem que os pequenos percam o ritmo de aprendizado conquistado ao longo do ano letivo.
Manter a mente ativa durante o recesso é fundamental para evitar o chamado Summer Slide, termo em inglês que descreve o retrocesso de habilidades e conhecimentos devido a longos períodos sem estímulo cognitivo. Embora o repouso seja uma necessidade biológica, a falta total de desafios mentais pode custar caro no retorno às aulas. Longos períodos sem estímulos cognitivos podem levar à perda de conhecimentos e aptidões adquiridas durante o ano letivo. Manter a mente ativa previne esse retrocesso.
O aprendizado nas férias deve ser encarado como uma extensão divertida do lazer. Para os pais, a mudança de mentalidade é o primeiro passo, já que as atividades não devem ser encaradas como “tarefas”, mas sim como experiências que despertam a curiosidade natural da criança.
É possível utilizar situações do dia a dia para estimular diferentes áreas do conhecimento de forma orgânica, contextualizada, sem cobranças excessivas e com equilíbrio. Algumas recomendações são:
1) Cozinhar em família: preparar uma receita é mais que um momento de afeto, é uma aula prática de matemática e ciências. Ao medir ingredientes, a criança trabalha noções de proporção e volume. Ao observar o bolo crescer no forno, presencia transformações químicas e físicas na prática.
2) Turismo local: um passeio por pontos turísticos, museus ou até mesmo uma praça histórica pode se transformar em uma aula de geografia e história. Entender a origem de um monumento ou a vegetação local ajuda a conectar o que se lê nos livros com o mundo real.
3) Jogos de tabuleiro: são aliados poderosos do raciocínio lógico e da cognição. Ensinam estratégia, paciência, respeito às regras e ajudam a lidar com frustrações de forma lúdica.
Durante as férias, o uso das telas costuma ser um ponto de conflito nas famílias. Para evitar isso, é importante elaborar um “Acordo de Férias” e tratar a tecnologia com intencionalidade e moderação, em vez de vê-la como vilã ou passatempo infinito. Estabelecer um cronograma diário visível, com limites de tempo negociados conforme a idade, aumenta a aceitação das regras.
Além disso, o foco deve migrar do consumo passivo para a criação ativa. Em vez de apenas assistir a vídeos, a criança pode ser incentivada a usar aplicativos para criar suas próprias histórias, editar fotos ou realizar pesquisas sobre temas de interesse. Transformar o tempo de tela em uma atividade compartilhada, como assistir a um documentário juntos e discuti-lo depois, também enriquece a experiência.
A leitura é uma das principais ferramentas contra a perda de aprendizagem. Além de ampliar o vocabulário e o conhecimento de mundo, desenvolve a criatividade de forma única. Para que o hábito não se perca nas férias, é preciso estimulá-lo com leveza e sem pressão. O segredo está em transformar a leitura em uma atividade aconchegante, criando um ambiente acolhedor, com livros acessíveis e praticando a leitura compartilhada, onde pais e filhos leem juntos, tornando o momento prazeroso e não uma obrigação escolar.
Por fim, as experiências culturais e as brincadeiras ao ar livre são insubstituíveis. Elas formam a espinha dorsal do aprendizado. Passeios e brincadeiras oferecem um aprendizado multissensorial, prático e contextualizado. Essas vivências contribuem integralmente para o desenvolvimento motor, social e emocional da criança, consolidando conhecimentos de maneira profunda e significativa.
Ao final das férias, a criança que brincou, criou, leu e explorou voltará para a escola não apenas descansada, mas com um repertório renovado e pronta para os novos desafios do próximo ano letivo.
Por Fabiane Dresch
Psicopedagoga e coordenadora pedagógica do Colégio Integrado de Campo Mourão (PR)
Artigo de opinião



