Como estabelecer metas realistas para um recomeço saudável no novo ano

Planejar objetivos baseados na realidade e no autocuidado reduz a frustração e aumenta a continuidade das conquistas

Planejar o ano com base na realidade — e não em expectativas irreais — aumenta as chances de continuidade e reduz frustração.

O início de um novo ano costuma vir acompanhado de listas de metas e resoluções. No entanto, a expectativa de mudança total logo em janeiro pode gerar ansiedade, frustração e abandono precoce dos objetivos. Recomeçar o ano não significa zerar a própria história, mas dar continuidade ao que já existe de forma mais consciente e possível.

“A ideia de que o ano começa do zero cria uma pressão desnecessária. As pessoas entram em janeiro já se sentindo atrasadas por não estarem motivadas ou produtivas o suficiente”, afirma Danielle Admoni, psiquiatra da infância e adolescência, supervisora na residência de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM) e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

Metas muito amplas ou rígidas tendem a se transformar em fonte de sofrimento emocional. Quando as resoluções não consideram o contexto real da vida da pessoa — rotina, cansaço acumulado, responsabilidades —, elas rapidamente viram cobrança, culpa e sensação de fracasso.

No campo profissional, objetivos genéricos como “produzir mais” ou “dar conta de tudo” costumam falhar por falta de critérios claros. “Metas mais saudáveis envolvem definir prioridades e reconhecer limites”, diz Danielle. Trabalhar melhor não é trabalhar o tempo todo, e desempenho sustentável não se constrói à base de exaustão.

Na esfera pessoal, mudanças radicais de hábito também tendem a ser difíceis de manter. “É mais eficaz pensar em ajustes pequenos e progressivos do que em transformações completas. A constância imperfeita costuma ser mais potente do que a tentativa de perfeição”, diz a psiquiatra.

O início do ano também pode ser um momento importante para rever a dinâmica familiar. Alinhar expectativas, redistribuir responsabilidades e criar combinados possíveis ajudam a reduzir sobrecarga emocional, dividindo as tarefas de forma mais justa e equilibrada.

Na área financeira, resoluções amplas como “economizar mais” ou “organizar a vida financeira” ganham força quando se transformam em ações concretas e objetivas. Ter metas menores e mais claras evita frustração e ajuda a construir segurança emocional ao longo do ano. Defina valores e destinações claras para o dinheiro economizado ou investido.

6 dicas práticas para transformar resoluções em metas possíveis:
1 – Escolha poucas metas, não uma lista extensa. Excesso de objetivos dilui foco e aumenta frustração.
2 – Traduza metas amplas em ações concretas. Em vez de “cuidar mais da saúde”, defina o que isso significa na prática. Exemplo: “caminhar por 20 minutos todos os dias” ou “incluir legumes, vegetais e frutas em todas as refeições”.
3 – Considere seu ritmo atual, não o ideal. Planeje a partir da rotina que você tem hoje.
4 – Defina metas ajustáveis, que possam ser revistas ao longo do ano sem culpa.
5 – Inclua limites no planejamento. Descanso, pausas e tempo livre também fazem parte de metas sustentáveis.
6 – Avalie progresso, não perfeição. Avançar um pouco já é avanço.

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Por Danielle Admoni

Psiquiatra da infância e adolescência, supervisora na residência de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM), especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria)

Artigo de opinião

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