Liderança Feminina e Conexão com a Natureza: Caminhos para o Sucesso Sustentável no ESG
Como a diversidade, a inclusão e a cultura regenerativa impulsionam resultados corporativos além do lucro
Em um cenário corporativo que cada vez mais reconhece o valor do tripé ESG (Ambiental, Social e Governança), o desenvolvimento humano deixou de ser apenas um pilar e se consolidou como o motor de uma estratégia de negócios robusta e de longo prazo. Após a COP30, o debate sobre sustentabilidade ganhou contornos práticos, e é neste contexto que programas de liderança feminina, diversidade e uma cultura ambiental regenerativa se mostram não apenas necessários, mas vitais para a produtividade, o engajamento e a reputação das empresas.
Aretha Duarte, montanhista, empreendedora e palestrante conhecida por ser a primeira mulher negra latino-americana a escalar o Everest, faz questão de endossar e trazer essa transformação ao centro dos diálogos e palestras com as empresas. Com a experiência de quem traduz o “ar rarefeito” das montanhas para as salas de conselho, Aretha oferece uma metodologia comprovada de como investir em pessoas, especialmente em lideranças femininas, impacta diretamente o sucesso corporativo. “Liderar é saber tomar decisões sob pressão, assim como em uma montanha. Mas, mais do que isso, é construir uma cordada forte, onde cada membro é valorizado e a diversidade de perspectivas se torna um diferencial para superar os desafios mais complexos. O futuro da liderança é humano, diverso e conectado ao propósito,” afirma Aretha Duarte.
Nessa escalada por resultados que vão além do lucro, Aretha destaca cinco passos essenciais para alcançar o topo do ESG:
1. Ativar equidade e liderança feminina como alavanca objetiva de performance
A inclusão de mulheres em posições de liderança é um dos pilares do S (Social) do ESG e tem um impacto comprovado na performance corporativa. Empresas com maior diversidade de gênero em suas equipes de liderança demonstram melhor desempenho financeiro, maior inovação e uma cultura organizacional mais forte. Isso porque as habilidades desenvolvidas pelo esporte, como autoconfiança, liderança, trabalho em equipe, comunicação e resiliência, são intrínsecas à jornada feminina e extremamente valiosas no ambiente corporativo. De acordo com a ONU Mulheres e a Women’s Sports Foundation, 94% das mulheres em cargos executivos de liderança têm histórico esportivo, e 91% delas afirmam que essas habilidades foram cruciais para suas carreiras.
A relevância é tal que grandes corporações já colhem frutos significativos. A Natura, por exemplo, alcançou a paridade de gênero em cargos de liderança na América Latina em 2023, com 50,5% de mulheres ocupando posições de diretoria e vice-presidência, um marco que não apenas reflete equidade, mas também potencializa os resultados. Trilhando um caminho parecido, o Grupo Boticário atingiu, há três anos, o marco de 56% de mulheres ocupando cargos de liderança. “Mulheres líderes constroem resultados sustentáveis quando fortalecem a autoliderança, inspirando seus times a inovar e a resistir aos reveses com uma visão mais ampla,” pontua Aretha.
2. Oxigenar a inovação por meio da diversidade e inclusão
A diversidade vai além da presença feminina, abrangendo raça, etnia, orientação sexual, idade, experiências e perspectivas. Um ambiente inclusivo é um terreno fértil para a inovação, pois estimula a criatividade e a capacidade de resolução de problemas. “Ambientes extremos revelam competências que escritórios não testam. É na diferença que encontramos as soluções mais criativas e robustas, transformando desafios em oportunidades de aprendizado e crescimento para toda a equipe,” explica Aretha.
A força de equipes diversas é como a resistência de uma cordada na montanha: cada integrante traz uma perspectiva única, e a colaboração é a chave para superar os obstáculos. Essa sinergia se traduz em melhor tomada de decisões, maior adaptabilidade às mudanças do mercado e, consequentemente, em um aumento significativo da produtividade e engajamento.
3. Regenerar a cultura organizacional para sustentar negócios de longo prazo e com propósito
A pauta ambiental (E do ESG) tem avançado para além da mitigação de impactos, buscando uma cultura regenerativa que valorize e restabeleça o equilíbrio natural. A conexão com a natureza, inclusive, oferece benefícios diretos à saúde mental e à capacidade cognitiva, elementos essenciais para a liderança. Estudos da Yale School of Environment mostram que passar pelo menos 2 horas na natureza durante a semana melhora a saúde e o bem-estar, reduzindo o cortisol, o hormônio do estresse, em 21,3% por hora, e aumentando a criatividade e a resolução de problemas em até 50%.
Para Aretha Duarte, essa conexão é fundamental: “O esporte e a natureza desenvolvem habilidades essenciais para o mundo corporativo. Desconectar para reconectar, respeitar os ciclos e entender que o ecossistema precisa de equilíbrio são lições que aprendemos nas montanhas e que são diretamente aplicáveis à construção de negócios sustentáveis.”
Narrativas ESG precisam de método para sair do discurso e virar ativos valiosos acionáveis. Sem experiências práticas direcionadas e validadas, o desenvolvimento de novas lideranças comprometidas com o tripé Ambiente, Social e Governança permanece no campo da intenção.
4. Operacionalizar o ESG por meio de experiências de liderança disruptivas
Para operacionalizar o ESG por meio de experiências de liderança disruptivas, e traduzir essas lições em uma experiência transformadora, é nesse ponto que programas como o “Todas no Topo”, idealizado e liderado por Aretha Duarte, se destacam como um exemplo prático de como o desenvolvimento humano pode se tornar uma estratégia de negócio potente. Trata-se de uma experiência imersiva de quatro dias nas montanhas, criada especialmente para mulheres em posições de liderança ou em transição de carreira, que buscam desenvolver suas habilidades de forma profunda e transformadora.
O “Todas no Topo” propõe práticas de superação pessoal, colaboração e reencontro com a essência do protagonismo feminino. As participantes vivem dinâmicas que estimulam a tomada de decisão sob pressão, a liderança em ambientes incertos, o trabalho em equipe, a autonomia e a comunicação empática, tudo isso em um ambiente de natureza extrema que exige presença, escuta, coragem e flexibilidade.
A iniciativa não apenas fortalece a autoliderança e a tomada de decisão consciente, mas também promove a desconexão consciente para uma reconexão estratégica, crucial para a saúde mental e o bem-estar no trabalho. “A saúde mental e a liderança caminham juntas. Não há como sustentar uma performance de excelência sem cuidado, sem pausas e sem um time que se apoia. O ‘Todas no Topo’ é sobre isso: sobre encontrar a sua força no coletivo e se fortalecer para inspirar outros,” reforça a montanhista.
Além disso, o programa ajuda empresas a se adequarem à NR-1, que agora exige a avaliação de riscos psicossociais, promovendo ambientes de trabalho mais saudáveis e contribuindo para a redução de afastamentos.
Quando esse desenvolvimento é aplicado com método único (Aretha é a única mulher negra latino-americana a chegar no topo do Everest, guia de alta montanha há mais de 15 anos, educadora física e CEO empreendedora socioambiental), intenção e mensuração, ele deixa de ser uma mera iniciativa isolada para cumprir agenda e passa a integrar a estratégia real de sucesso do negócio a longo prazo.
5. Converter desenvolvimento, empoderamento e retenção de lideranças ESG em valor e resultado mensurável para o negócio
Empresas que investem em programas como o ‘Todas no Topo’ colhem retornos significativos em diversas frentes. Líderes mais preparadas e engajadas impulsionam a performance, resultando em melhores resultados e lucratividade. A diversidade e a inovação geradas pelos times tornam a organização mais robusta, garantindo maior competitividade no mercado global. Uma forte cultura ESG, cultivada por essas iniciativas, contribui também para o aprimoramento da reputação corporativa, atraindo tanto investimentos quanto novos talentos. A cultura corporativa e o engajamento são fortalecidos, pois os colaboradores se sentem mais valorizados e pertencentes à própria organização. Como resultado de todo esse movimento, há um aumento da produtividade e da capacidade de inovação, impulsionados por planos de ação direcionados, pela diversidade de ideias e pelos estímulos que esses programas proporcionam.
“A mudança de paradigma do mundo corporativo exige que tragamos empatia, soluções inovadoras, compaixão e responsabilidade ambiental para o centro da estratégia. O ESG não é um custo, é um investimento que fortalece a empresa de dentro para fora, garantindo um horizonte de crescimento sustentável”, conclui Aretha Duarte.
Por Aretha Duarte
Palestrante, empreendedora social, empresária, primeira mulher negra latino-americana a escalar o Monte Everest, guia de alta montanha há mais de 15 anos, educadora física, CEO empreendedora socioambiental
Artigo de opinião



