Decisão do STJ pode elevar em até 90% custos hospitalares e impactar atendimento
Estudo revela que hospitais filantrópicos terão que reajustar diárias e taxas para compensar perda de margens em medicamentos
A recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que proíbe a aplicação de margens comerciais sobre medicamentos hospitalares, pode provocar um aumento significativo nos preços das diárias e taxas hospitalares, especialmente em hospitais filantrópicos. Um estudo da Planisa, consultoria especializada em gestão de saúde e custos hospitalares, aponta que essa mudança exigirá uma reestruturação urgente no modelo de remuneração das instituições de saúde.
Segundo a análise da Planisa, que avaliou mais de 2,8 milhões de contas de pacientes da saúde suplementar, a eliminação da margem sobre medicamentos pode acarretar um aumento de até 90,1% nas diárias e taxas hospitalares para que os hospitais filantrópicos mantenham seu equilíbrio financeiro. “Se nada for feito, o estudo mostra que a perda de margem de medicamento pode resultar em uma queda de 8% no resultado operacional”, explica Marcelo Carnielo, diretor de Serviços da Planisa e especialista em custos hospitalares.
O estudo destaca que o custo do medicamento vai além do preço de aquisição. Existem custos indiretos, como logística hospitalar, farmácia, almoxarifado e gestão de compras, que representam cerca de 8,1% do custo do insumo. Além disso, os custos administrativos, incluindo ciclo de receita e financeiro, somam aproximadamente 8,3%. Também há custos relacionados à mão de obra para manuseio e aplicação dos medicamentos, além dos custos de oportunidade, estimados em 15% ao ano, baseados na taxa Selic atual.
Carnielo reforça que, para o setor privado, vender medicamentos pelo custo de aquisição gera prejuízo nominal. “Com a Selic a 15%, o hospital que compra um medicamento de alto custo e recebe o pagamento da operadora em 60 ou 90 dias está, na prática, perdendo dinheiro”, exemplifica. Ele cita que, se um hospital gasta R$ 10.000 em um medicamento quimioterápico e recebe o mesmo valor três meses depois, o custo financeiro é de aproximadamente R$ 375, sem contar os impostos.
Diante desse cenário, a Planisa alerta que, apesar da decisão do STJ ser juridicamente fundamentada, ela demanda uma revisão urgente dos modelos de contratualização e remuneração na saúde suplementar. “Sem uma repactuação que reconheça os custos reais da operação hospitalar, especialmente nas instituições filantrópicas, o risco é de comprometimento da sustentabilidade financeira, redução da capacidade assistencial e impacto direto na qualidade do atendimento prestado à população”, conclui Carnielo.
Este conteúdo foi elaborado com base em dados fornecidos pela assessoria de imprensa da Planisa, reforçando a importância de acompanhar as mudanças no setor de saúde e seus impactos diretos na qualidade do atendimento.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



