Por que o “Projeto Verão” não dura até o Carnaval: 5 motivos para repensar a dieta radical
Entenda os perigos das dietas restritivas e como adotar hábitos saudáveis que realmente fazem a diferença a longo prazo
Todo início de ano traz uma avalanche de promessas: emagrecer rápido, “desintoxicar” o corpo, compensar os excessos, mas por trás desse movimento aparentemente inofensivo, existe um padrão que se repete e que ajuda a explicar por que tantas pessoas desistem antes mesmo do primeiro trimestre. A nutricionista Tayanne Malafaia, pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e professora universitária, chama atenção para um ponto central: o imediatismo é o maior inimigo da saúde quando o assunto é emagrecimento.
1. Dietas de janeiro falham não por falta de força de vontade, mas por excesso de restrição
A lógica do “tudo ou nada” está na raiz do problema. A mentalidade do “projeto verão” ou da “dieta detox de janeiro” é extremamente prejudicial. Ela se baseia na restrição severa, que é insustentável a longo prazo e leva frequentemente a um ciclo de compulsão alimentar e frustração.
2. O corpo reage às dietas como se estivesse em perigo
Quando o corpo é submetido a uma restrição calórica drástica, ele entra em modo de “economia de energia”, diminuindo o metabolismo. Ao final da dieta, qualquer caloria extra é rapidamente estocada como gordura, e o peso perdido é recuperado, muitas vezes com acréscimo. É aí que o chamado efeito sanfona se instala.
3. O efeito sanfona vai além do peso na balança
Esse processo repetitivo não impacta apenas o corpo, mas também a relação com a comida. Isso gera um ciclo de desânimo e pode piorar a relação da pessoa com a alimentação, afetando emocionalmente quem tenta emagrecer.
4. Janeiro expõe um problema maior: a cultura do corpo de verão
O fenômeno, que se repete ano após ano, reacende um debate mais amplo sobre saúde pública e pressão estética. A busca por resultados rápidos acaba se sobrepondo à construção de hábitos reais e duradouros.
5. A mudança começa quando o foco deixa de ser cortar tudo
A saúde é uma construção diária, não um projeto de 30 dias. Em vez de cortar tudo, a recomendação é incluir mais: mais vegetais, mais água, mais movimento. Essa abordagem sustentável promove bem-estar e resultados efetivos a longo prazo.
Por Tayanne Malafaia
Pós-doutoranda, nutricionista, pesquisadora no Laboratório de Farmacologia Celular e Molecular do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes da UERJ, professora universitária; graduação em Nutrição (2016) pela UERJ; mestrado e doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Fisiopatologia Clínica e Experimental (FISCLINEX/UERJ); atua em consultório nas áreas de Nutrição Clínica e Esportiva desde 2016
Artigo de opinião



