Personalização farmacêutica: o caminho para maior eficiência e segurança no sistema de saúde brasileiro
A atuação clínica do farmacêutico e a manipulação magistral ganham protagonismo na busca por tratamentos individualizados e melhores resultados terapêuticos
A consolidação da saúde personalizada no Brasil tem reposicionado o farmacêutico como um agente estratégico dentro da cadeia de cuidado, com impacto direto sobre eficiência clínica, adesão ao tratamento e racionalização de custos no sistema de saúde. O movimento ganha destaque em um contexto de crescimento da manipulação magistral como alternativa complementar aos modelos industriais padronizados.
A ampliação das atribuições clínicas do farmacêutico e a integração mais estreita com a prescrição médica refletem uma tendência estrutural do setor: terapias cada vez mais ajustadas ao perfil do paciente, com ganhos em segurança, eficácia e continuidade do tratamento.
Dados de organismos internacionais e estudos clínicos apontam a baixa adesão terapêutica como um dos principais fatores de desperdício em saúde, com impacto direto sobre custos assistenciais e resultados clínicos. No Brasil, regimes terapêuticos complexos, efeitos adversos e falta de compreensão do tratamento seguem como entraves relevantes.
Nesse cenário, a personalização farmacêutica surge como uma resposta técnica à necessidade de maior eficiência do sistema. O farmacêutico deixou de atuar apenas na dispensação e passou a exercer um papel clínico, avaliando doses, interações, formas farmacêuticas e orientando o paciente de forma contínua.
Do ponto de vista científico e terapêutico, a principal distinção entre fórmulas manipuladas e produtos industrializados está no grau de individualização. Enquanto medicamentos de prateleira são desenvolvidos para grandes populações, a manipulação permite ajustes finos de dose, associação de ativos, adaptação de excipientes e escolha da forma farmacêutica mais adequada à rotina do paciente.
São modelos complementares. A manipulação atende nichos clínicos específicos, perfis sensíveis e situações em que a padronização não oferece a melhor resposta terapêutica. Para o mercado, isso representa uma lógica de curadoria técnica, em contraste com estratégias baseadas exclusivamente em escala.
Na prática clínica, o farmacêutico atua como um intermediário qualificado entre o médico prescritor, a ciência farmacêutica e o paciente final. Essa posição estratégica contribui para reduzir falhas terapêuticas, melhorar a adesão e aumentar a previsibilidade dos resultados.
O acompanhamento farmacêutico transforma a prescrição em um cuidado compreensível. Isso reduz riscos, melhora a experiência do paciente e aumenta a eficiência do tratamento.
A valorização do farmacêutico e da manipulação personalizada acompanha uma tendência global de saúde orientada por dados, personalização e eficiência. Para o ecossistema de saúde — que envolve indústria, clínicas, operadoras e investidores —, o modelo representa uma oportunidade de reduzir desperdícios, melhorar desfechos clínicos e atender a uma demanda crescente por soluções individualizadas.
Valorizar o farmacêutico é reconhecer que ciência, ética e personalização são ativos estratégicos para uma saúde mais eficiente e sustentável.
Por Dra. Flávia Ribeiro
farmacêutica, CEO da Quality Farmácia
Artigo de opinião



