Gestão Empresarial: O Fator Decisivo para a Sobrevivência dos Consultórios Odontológicos em 2026
Em um mercado competitivo e com custos crescentes, consultórios sem estrutura de gestão perdem espaço, mesmo diante da alta demanda por serviços odontológicos.
A odontologia brasileira entra em 2026 pressionada por um paradoxo econômico. O país reúne o maior contingente de dentistas do mundo, com mais de 426 mil profissionais registrados no Conselho Federal de Odontologia, mas boa parte dos consultórios ainda opera sem estrutura mínima de gestão para enfrentar um cenário de custos crescentes e competição local intensa.
Indicadores macroeconômicos ajudam a explicar a mudança de contexto. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que despesas com aluguel comercial, serviços terceirizados e mão de obra seguem pressionando pequenos negócios desde 2023, com impacto direto sobre atividades intensivas em pessoas, como clínicas de saúde. Na odontologia, esse movimento reduz margens e amplia o risco de decisões tomadas sem base financeira.
A falta de gestão passou a ser um fator de exclusão do mercado. Durante anos, era possível sustentar um consultório apenas com boa técnica e agenda cheia. Esse tempo acabou. Em 2026, quem não entende seus números perde competitividade rapidamente.
O alerta é reforçado por dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, que apontam que cerca de 60% dos pequenos negócios da área da saúde encerram as atividades antes de completar cinco anos, principalmente por falhas em controle financeiro e planejamento. No caso das clínicas odontológicas, o problema não costuma ser a demanda, mas a incapacidade de transformar atendimento em resultado sustentável.
A ausência de indicadores compromete decisões estratégicas ao longo do ano. Custos fixos mensais, margem por procedimento, taxa de conversão de orçamentos e ticket médio ainda são desconhecidos por muitos profissionais. Sem esses dados, o dentista trabalha muito, mas não sabe onde está ganhando ou perdendo dinheiro. Isso fragiliza o negócio.
A estrutura interna também entra no centro do debate. Papéis pouco definidos, equipes sem metas claras e processos improvisados aumentam a dependência do dono e reduzem eficiência operacional. Quando tudo passa pelo dentista, o consultório não escala. Organização não é burocracia, é condição para crescer.
Outro ponto crítico é a precificação. Levantamentos do Sebrae indicam que empresas que não conhecem seus custos reais tendem a operar com margens inconsistentes. Preço baseado apenas no mercado ignora a realidade de cada clínica. Custos, estrutura e posicionamento precisam entrar nessa conta.
A experiência do paciente também passou a ter peso econômico maior. Jornadas desorganizadas, falhas de comunicação e ausência de acompanhamento reduzem retenção e previsibilidade de receita. Gestão aparece no atendimento, no financeiro e na capacidade de manter o consultório saudável ao longo do tempo.
Em suma, 2026 consolida uma mudança estrutural no setor. A técnica continua essencial, mas deixou de ser suficiente. O consultório que não se organizar como empresa tende a perder espaço, mesmo em um mercado com alta demanda.
Por Sabrina Balkanyi
Dentista formada pela USP, empresária e mentora de dentistas e profissionais de saúde, com mais de 20 anos de experiência, atua na gestão de unidades odontológicas e desenvolvimento de produtos digitais para gestão de negócios na área odontológica.
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