A Saúde Mental como Pilar na Prevenção e Tratamento da Doença de Alzheimer

Como a conexão social, o diagnóstico precoce e novas terapias podem transformar a longevidade cerebral

Saúde mental tem papel essencial na prevenção e no cuidado da doença de Alzheimer e outras demências.

Em um cenário global de crescente preocupação com o envelhecimento populacional, especialistas e organizações de saúde alertam para o impacto significativo do isolamento social no risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer e outras demências. A promoção da conexão social e a normalização da discussão sobre saúde cerebral emergem como pilares fundamentais para uma longevidade saudável. A saúde do nosso cérebro não deve ser um tabu, nem ser ignorada, mas sim uma parte integrante do nosso cuidado geral. A consulta com o neurologista deveria fazer parte da rotina, assim como fazemos o checkup cardiológico.

Estudos científicos recentes têm demonstrado consistentemente que o isolamento social e a solidão não são apenas fatores de risco para a mortalidade geral, mas também possuem uma correlação direta com a saúde cognitiva. Pesquisas indicam que a solidão está associada a uma maior carga amiloide cortical em idosos, um marcador biológico da fisiopatologia da doença de Alzheimer. Essa evidência sublinha a complexa interconexão entre bem-estar psicossocial e a saúde do cérebro.

Por outro lado, uma vida ativa e socialmente integrada na velhice pode atuar como um fator protetor contra a demência. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem reforçado a importância da conexão social, inclusive com a criação de uma comissão dedicada ao tema, visando reduzir a solidão e construir coesão social.

A importância da prevenção e do diagnóstico nos estágios mais iniciais da doença

A doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa que acomete o sistema nervoso central, provocando a morte dos neurônios, especialmente em áreas responsáveis pela linguagem e raciocínio, no hipocampo e no córtex cerebral. Essa alteração leva ao comprometimento gradual das funções cognitivas, afetando a capacidade de lembrar, pensar, se comunicar e realizar atividades cotidianas.

A prevenção das demências, incluindo a doença de Alzheimer, é multifacetada e abrange desde fatores de estilo de vida até a atenção à saúde mental. O Relatório da Comissão Lancet sobre Prevenção, Intervenção e Cuidados com a Demência destaca que intervenções direcionadas a múltiplos fatores de risco, como sedentarismo, obesidade e isolamento social, podem modificar a trajetória da doença.

Nesse contexto, a detecção rápida de quaisquer sinais de alteração cognitiva torna-se crucial. É fundamental que o cuidado com a saúde do cérebro seja normalizado e integrado ao check-up anual, preferencialmente com um neurologista, permitindo uma abordagem preventiva.

Os primeiros sintomas da doença de Alzheimer, que podem surgir décadas antes do diagnóstico formal, são frequentemente confundidos com lapsos de memória decorrentes de estresse ou de outras condições não relacionadas. Muitas vezes, esses sinais acabam sendo atribuídos ao estresse ou ao “envelhecimento normal”, quando, na realidade, podem representar indícios iniciais de uma condição neurológica mais séria em desenvolvimento. Esse atraso no reconhecimento pode favorecer a progressão gradual da doença, marcada por sintomas irreversíveis que, embora não possam ser revertidos, podem ser manejados com intervenções adequadas.

A diferenciação entre sintomas de estresse e outras potenciais causas reversíveis com uma possível demência inicial exige avaliação profissional especializada. O acesso à informação sobre os fatores de risco e o diagnóstico precoce são cruciais para que a população tenha a possibilidade de tratar a doença em fase inicial, antes que suas funções cognitivas afetem sua qualidade de vida e independência.

Intervenções não farmacológicas, como manter-se socialmente ativo, praticar exercícios físicos e ter uma alimentação saudável, são poderosas ferramentas preventivas. Além dessas abordagens, a ciência avança com novas terapias medicamentosas que, quando aplicadas no momento certo, podem oferecer esperança e melhor qualidade de vida.

Aprovado e lançado em 2025 no Brasil, Kisunla® (donanemabe) demonstrou benefício crescente e sustentado ao longo de três anos no tratamento da doença de Alzheimer na fase inicial dos sintomas, mostrando reduzir significativamente a progressão do declínio cognitivo e funcional, que impactam diretamente na qualidade de vida do paciente.

O tratamento com Kisunla® nos estágios mais iniciais da doença pode contribuir para a preservação da saúde mental e emocional, uma vez que a desaceleração da progressão da demência está associada à redução ou adiamento de sintomas psicológicos e comportamentais característicos da doença de Alzheimer. Evidências científicas demonstram que pacientes diagnosticados frequentemente apresentam transtornos como ansiedade e irritabilidade, especialmente à medida que passam a perceber falhas de memória e dificuldades cognitivas.

Além disso, sintomas depressivos são comuns, muitas vezes relacionados a sentimentos de frustração, perda de autonomia, vergonha e inutilidade, decorrentes da incapacidade funcional progressiva.

O diferencial farmacológico de Kisunla® reside na sua capacidade de remover as placas beta-amiloides acumuladas no cérebro, e em um regime de dosagem por tempo limitado: os pacientes são tratados até que a depuração de placas amiloides seja alcançada e com duração máxima do tratamento de 18 meses, com a manutenção de benefícios a longo prazo, mesmo após a conclusão do tratamento. O tratamento com Kisunla® nos estágios sintomáticos iniciais tem mostrado reduzir significativamente a progressão do declínio cognitivo e funcional, reforçando a importância de um diagnóstico e intervenção ágeis. Ignorar os primeiros sinais ou o impacto da solidão é perder uma oportunidade valiosa de intervenção.

A abordagem à longevidade saudável, conforme enfatizado pela OMS, passa por um entendimento abrangente dos fatores de risco e pela promoção de ambientes que favoreçam o bem-estar físico, mental e social. Isso inclui o acesso a informações claras, serviços de saúde de qualidade e uma cultura que valorize a conexão humana em todas as fases da vida.

A saúde do cérebro deve se tornar tão importante quanto o bem-estar físico, mental e social para uma longevidade saudável, e é fundamental investir continuamente em pesquisa clínica para que medicamentos inovadores, como o Kisunla®, cheguem aos pacientes com segurança.

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Por Luiz André Magno

Diretor Médico Sênior da Lilly Brasil

Artigo de opinião

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