A infância na era digital: quando a tecnologia dificulta nomear emoções
Como o uso crescente de sistemas inteligentes impacta o desenvolvimento emocional das crianças e adolescentes
Em um cenário cada vez mais digital, a infância e a adolescência enfrentam um desafio inédito: a dificuldade em nomear e expressar sentimentos. Dados recentes da consultoria estratégica Página 3, apresentados durante o Janeiro Branco, revelam que 76% dos brasileiros consideram cada vez mais difícil conversar e se relacionar com outras pessoas. Esse fenômeno se manifesta de forma preocupante entre a geração Alfa, que cresce mediada por algoritmos e sistemas inteligentes.
Crianças e adolescentes estão habituados a interagir com máquinas que respondem rapidamente, sem julgamentos ou interrupções, criando uma comunicação imediata, porém superficial. Essa facilidade, embora aparente autonomia, reduz o contato real necessário para desenvolver habilidades sociais essenciais, como interpretar tons de voz, expressões faciais e sinais emocionais.
No ambiente familiar, é comum observar crianças que recorrem a chatbots para pedir conselhos sobre conflitos com colegas, mas que travam na hora de explicar para um adulto o que realmente sentiram. Esse “atalho emocional” evita desconfortos momentâneos, mas compromete o treino social que constrói o vocabulário afetivo, a tolerância à frustração e a capacidade de negociar limites.
Pais relatam um paradoxo: admiram a autonomia tecnológica dos filhos, mas percebem que essa segurança é frágil quando o assunto são sentimentos complexos como rejeição, ciúme e insegurança — experiências que nenhuma máquina consegue simular por completo.
Sabrina Abud, co-fundadora da Página 3, destaca que a terceirização das emoções para sistemas inteligentes altera profundamente o processo de construção emocional. “Quando terceirizamos até o que sentimos, abrimos mão do esforço de interpretar a experiência. Estamos formando uma geração que aprende a pensar com atalhos e a sentir com legendas, o que enfraquece o vocabulário emocional e empobrece o vínculo humano.”
O debate ganha ainda mais relevância no Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental. Além de temas tradicionais como ansiedade e estresse, a discussão agora inclui o impacto da tecnologia na capacidade de sustentar conversas difíceis e manter vínculos saudáveis, que dependem de confronto, ambiguidade e tempo — elementos ausentes na lógica dos agentes inteligentes.
A questão central não é a presença da tecnologia, mas o que ela substitui. Quando a inteligência artificial ocupa o lugar de mediadora emocional antes reservado a pessoas, corre-se o risco de formar uma geração que domina dispositivos, mas tem pouca prática em operar relações humanas.
Esse cenário aponta para a necessidade urgente de incluir na agenda de saúde mental de 2026 a reflexão sobre o papel da tecnologia na formação emocional das crianças e adolescentes, buscando equilibrar inovação e desenvolvimento afetivo para garantir vínculos humanos mais fortes e saudáveis.
Este conteúdo foi elaborado com base em dados e análises da assessoria de imprensa da consultoria Página 3.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



