Gestão Deficiente e Riscos Ocultos Impulsionam Crise nas PMEs Brasileiras

A falta de diagnósticos estruturados e controle financeiro coloca micro e pequenas empresas em situação vulnerável, exigindo uma gestão preventiva para garantir a sobrevivência.

O avanço do número de empresas em dificuldade em 2025 tem menos relação com queda de consumo e mais ligação direta com falhas internas de gestão. Dados atualizados do Mapa de Empresas, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), apontam que o Brasil registrou saldo negativo de mais de 2,4 milhões de encerramentos de empresas entre 2024 e o primeiro trimestre de 2025. Micro e pequenas empresas responderam por aproximadamente 97% desse total, evidenciando a vulnerabilidade estrutural desse segmento.

O problema central está na ausência de visibilidade sobre a real situação das empresas. É recorrente encontrar empresários que operam no escuro, sem saber exatamente se o negócio gera lucro ou prejuízo. Sem dados confiáveis, qualquer decisão passa a ser baseada em sensação, não em estratégia. De acordo com dados do Sebrae, apenas 35% das PMEs brasileiras realizam fechamento financeiro mensal com análise de margem, encargos e obrigações legais.

Essa falta de acompanhamento cria um ambiente propício para riscos ocultos. No campo financeiro, erros de enquadramento tributário e ausência de planejamento fiscal levam empresas a pagar mais impostos do que o necessário ou a acumular passivos que só aparecem em fiscalizações. No aspecto jurídico, contratos genéricos, mal redigidos ou desatualizados aumentam a exposição a disputas e ações trabalhistas. Já do ponto de vista da gestão, a inexistência de indicadores de desempenho e metas claras dificulta a expansão: estudos do Sebrae indicam que mais de 70% das PMEs relatam estagnação por falta de estratégia estruturada.

Esses problemas raramente surgem de forma isolada. Quando a empresa não controla números, também tende a negligenciar contratos, obrigações legais e processos internos. O risco vai se acumulando até o momento em que a crise se torna inevitável. Muitas empresas só procuram ajuda quando já enfrentam dívidas elevadas ou processos judiciais, o que reduz as alternativas de correção.

Para enfrentar esse cenário, é fundamental adotar um método de diagnóstico empresarial que integre análises jurídica, contábil e de gestão. Um “check-up” completo da empresa pode identificar falhas, gargalos operacionais e oportunidades de ajuste que normalmente passam despercebidas no dia a dia. O diagnóstico deve analisar desde contratos, enquadramento tributário e obrigações legais até controles internos e indicadores financeiros, revelando o que não está visível para o empresário.

O principal ganho está na previsibilidade. Quando o empresário passa a enxergar a empresa como um sistema, e não apenas como uma operação diária, a tomada de decisão muda. A dívida deixa de ser um problema abstrato e passa a ser um número administrável, com estratégia e prazo. Esse método é especialmente indicado para empresas em expansão, negócios que nunca revisaram contratos e processos internos ou que desejam crescer com menor exposição a riscos.

Em um contexto econômico marcado por margens pressionadas e maior rigor fiscal, a sobrevivência das PMEs dependerá cada vez mais de gestão estruturada e diagnósticos preventivos. Mais do que corrigir crises, o desafio passa a ser antecipá-las, transformando informação em estratégia e reduzindo a vulnerabilidade dos negócios no médio e longo prazo.

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Por Mayra Saitta

Advogada, contadora, empresária, fundadora do Grupo Saitta, graduada em Ciências Contábeis e Direito, especializada em Direito Empresarial, autora do livro "A mente ágil do líder", homenageada pela Câmara Municipal de Praia Grande, idealizadora do Saitta Day

Artigo de opinião

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