Empresas brasileiras se antecipam à certificação de saúde mental para 2026

A virada do ano marca o início da adoção de políticas estruturadas que alinham saúde emocional e gestão de riscos nas organizações

A virada do ano tem levado empresas brasileiras a antecipar políticas formais de saúde mental no trabalho antes da regulamentação do Certificado de Empresa Promotora da Saúde Mental, criado pela Lei 14.831/2024. Segundo a Organização Mundial da Saúde, transtornos como ansiedade e depressão geram perdas globais de produtividade superiores a US$ 1 trilhão por ano.

Levantamento da Deloitte indica que 76% dos profissionais da geração Z priorizam o bem-estar psicológico ao escolher um emprego. No Brasil, a legislação estabelece diretrizes para reconhecer organizações que adotem práticas contínuas de promoção da saúde emocional, embora a certificação ainda não possa ser solicitada.

A antecipação é uma resposta tanto à lei quanto a mudanças mais amplas no ambiente de trabalho. A certificação será um divisor de águas na forma como o emocional é tratado nas organizações. Mesmo sem a comissão formada, o conteúdo da lei já sinaliza o que será exigido, e quem se antecipa sai na frente.

Metodologias que combinam testes psicológicos validados, devolutivas estratégicas e planos de ação voltados a lideranças e áreas de recursos humanos têm sido adotadas por empresas interessadas em iniciar 2026 já em conformidade com as exigências previstas. Não se trata de um programa pontual. A lei aponta para ações contínuas, mensuráveis e documentadas, e isso exige método.

Além da Lei 14.831, outro fator que tem pressionado as empresas é a atualização da Norma Regulamentadora nº 1. Em agosto de 2024, o Ministério do Trabalho incluiu oficialmente os fatores psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais, ao lado de agentes físicos, químicos e ergonômicos.

A convergência entre norma trabalhista e legislação federal reforça a necessidade de políticas estruturadas. A saúde mental deixou de ser apenas uma pauta de cultura organizacional. Ela passou a ter respaldo jurídico e impacto direto na gestão de riscos.

O planejamento no fim do ano fiscal também responde a indicadores preocupantes de rotatividade e afastamentos. Estudo do LinkedIn em parceria com a PwC aponta que o Brasil lidera o ranking global de turnover voluntário, com mais da metade das demissões ocorrendo por decisão do próprio trabalhador.

O custo dessa dinâmica vai além do financeiro. Quando o emocional não é gerido, a empresa perde talentos, clima e reputação. Antecipar políticas é uma forma de reduzir perdas futuras.

Mesmo sem data definida para o início das certificações, a expectativa é que o selo federal funcione como um instrumento de reputação e diferenciação no mercado de trabalho. Quem esperar a regulamentação para começar corre o risco de chegar atrasado. A virada do ano virou um marco simbólico e prático para organizar processos e colocar a saúde mental no centro da estratégia.

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Por Jéssica Palin Martins

Advogada, psicóloga, especialista em saúde mental no ambiente corporativo, graduada em Direito pela Universidade Paulista (UNIP) e em Psicologia pelo Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP), mestre em Direito pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET), especialista em Intervenção Familiar Sistêmica pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), fundadora da IntegraMente, desenvolvedora de metodologia para saúde mental corporativa.

Artigo de opinião

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