Cirurgia inovadora usa dente para restaurar visão em casos graves de córnea
Conheça o procedimento Ósteo-odonto-queratoprótese, que devolve a visão a pacientes com danos irreversíveis na córnea
Um procedimento cirúrgico impressionante, conhecido como Ósteo-odonto-queratoprótese (OOKP), utiliza fragmentos do próprio dente do paciente para restaurar a visão em casos graves de doenças na córnea. A técnica, apelidada de “cirurgia do dente no olho”, foi desenvolvida em 1963 na Itália pelo Dr. Benedetto Strampelli e oficializada como protocolo cirúrgico em 2005. Desde então, tem sido aplicada em países como Estados Unidos, Japão, Austrália, Canadá e na Europa, apresentando resultados satisfatórios.
De acordo com o presidente da Comissão Temática de Odontologia Baseada em Evidências do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dr. Carlos Monson, o procedimento ainda não é realizado no Brasil, e não há estudos locais que expliquem os motivos para isso ou o que seria necessário para sua implementação. O OOKP é um processo altamente criterioso, pois utiliza um fragmento do dente canino ou do siso do próprio paciente, incluindo porções de osso alveolar e ligamentos periodontais, que devem ser obtidos em condições rigorosamente esterilizadas para evitar infecções.
Antes do implante definitivo no globo ocular, o fragmento dentário é alojado em tecido subcutâneo do próprio paciente por um período de 12 a 18 meses. Esse tempo é essencial para que ocorra a vascularização e a compatibilidade biológica, garantindo a sustentação nutricional do implante. O conjunto dente/lente funciona como um transplante autógeno, reduzindo em até 95% as chances de rejeição pelo sistema imunológico.
Embora seja um procedimento complexo, demorado e de alto custo, o OOKP pode transformar a vida de pacientes que tiveram a córnea destruída, devolvendo-lhes a capacidade de realizar tarefas básicas do dia a dia, como se alimentar, vestir-se, tomar banho e se locomover sem auxílio. Estudos realizados entre 1969 e 2001 com 59 pacientes mostraram que 94% dos implantes permaneceram estáveis e funcionais por muitos anos, com apenas 6% dos casos resultando em cegueira irreversível. Alguns pacientes relataram até mesmo a retomada de atividades esportivas e a percepção de “visão em túnel”, semelhante a enxergar por um buraco de fechadura.
Um aspecto importante do pós-operatório é a questão estética: o olho pode ficar rosado ao redor da lente devido à fase de celularização. Para melhorar a aparência, é possível utilizar uma prótese estética que simula a íris, proporcionando maior conforto visual e emocional ao paciente.
Pesquisas laboratoriais buscam substituir o dente natural por lâminas de titânio, mas, segundo o Dr. Monson, essa técnica ainda não está registrada em bases internacionais como a National Library of Medicine dos Estados Unidos. Portanto, o uso do dente natural permanece o método padrão para o OOKP.
Este conteúdo foi elaborado com base em informações da assessoria de imprensa do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), que atua na fiscalização e supervisão da ética profissional odontológica no estado, zelando pela qualidade e segurança dos procedimentos realizados.
A cirurgia do dente no olho é um exemplo fascinante de como a medicina e a odontologia podem se unir para proporcionar qualidade de vida e esperança a pacientes com condições oftalmológicas severas.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



